É hora de abrir regos.

1. Não foram poucos os que decidiram peguilhar com Victor Freitas. Era inevitável. Num só congresso o líder do PS-M conseguiu ser infeliz em várias ocasiões. Quando adiou para 2016 a adaptação das primárias, alinhando na lógica de Seguro ‘Qual é a pressa?’. Ora, se tem medo perder o partido, como pode ganhar a Madeira? E se aceita os novos estatutos, dando de barato a autonomia política da estrutura regional, qual a justificação para a demora em aplicá-los na Região? Quando, do nada, resolveu desobedecer às orientações do partido e trair a memória com aquela deselegante tirada “já cortámos há muitos anos com o engenheiro José Sócrates”. A esta hora, o líder dos socialistas deve ter as mãos a arder de tantas palmas bater a António Costa - o que não seria se fosse o seu candidato derrotado a discursar?!. Mas também deve ter as orelhas a ferver. Basta ler o que escreve André Escórcio no seu Facebook sobre o que o líder do PS-M disse ao DIÁRIO sobre o ex-secretário-geral: “Eu vou considerar que se tratou de um deslize muito infeliz. Há circunstâncias que obrigam, quer no plano da responsabilidade institucional, quer no das relações interpares, a uma grande contenção nas palavras. Certamente, sem querer, aquela declaração conduz a uma outra leitura: se cortou com o antigo secretário-geral, também está em corte com o actual, uma vez que não o apoiou nas primárias. E pode conduzir a um segunda leitura: uma condenação pública sem julgamento. Feio, muito feio. Às vezes é melhor estar calado”. Quando disse estar satisfeito com facto de António Costa ter feito das eleições na Madeira uma prioridade, não percebendo o alcance do desejo do secretário-geral. Victor Freitas esteve mal, o que não surpreende em quem tudo faz para manter-se candidato. Bem pior, é haver quem deixa acontecer para que tudo fique na mesma.

2. O desnorte do SESARAM, que gere o sector em função das notícias do DIÁRIO, hoje o melhor remédio para os males da saúde, contribuiu para a zoada da semana. Embora nos dê trabalho e direito à habitual justificação oficial para o desleixo, coisa que a folha de Jardim transforma sistematicamente em ‘desmentido’, os madeirenses já sabem a que porta bater se quiserem solução imediata para os seus problemas. Já agora, é com particular satisfação que constatamos que o novo hospital “assunto encerrado” - que reabrimos com a verdade incómoda – depois de “vai ter de acontecer”, está bem vivo. Ventura Garcês foi novamente desautorizado. O PSD anunciou este sábado que o executivo madeirense requereu "oficialmente" ao Governo da República que a construção de um novo hospital na região seja considerada de "interesse nacional”.

3. Por atremar continua o futuro do turismo madeirense. Um futuro que passa pela preservação da autenticidade, pela afirmação do potencial diferenciador e pela cooperação dos vários players do sector e parcerias entre destinos complementares. Um futuro com mais e melhor promoção e informação. Hoje o segredo não é alma deste negócio de milhões e da dita indústria da paz que muitas vezes vive de brigas domésticas e guerras entre destinos. O sector deve conhecer novidades das boas por estes dias. Mas para manter a rota de crescimento, haverá finalmente estratégia e reforço de verbas para dignificar o sector? Este ano o motor da economia contou com oito milhões para promoção e outros tantos para eventos destinados a atrair turistas. O Governo dos Açores já assumiu publicamente que em 2015 vai investir 26 milhões de euros na promoção do destino, o que representa mais 18% do que este ano. A Madeira vai acompanhar o ritmo ou prefere deixar-se ficar?

4. Os renhetas desta ilha presunçosa deviam aprender com os gestos da boa vizinhança. Fui convidado para ir aos Açores moderar uma conferência sobre turismo da qual guardo a melhor das impressões. A iniciativa ocorreu numa sexta-feira, às oito da noite, no concelho de Nordeste, em São Miguel. Seis oradores perspectivariam o futuro do turismo na Região e no concelho. Entre estes, o secretário regional do Turismo. Vítor Fraga, quase de directa, corre do aeroporto de Ponta Delgada, vindo de vários dias de debate de Plano e Orçamento, para o extremo da ilha. O governante fala e ouve, é questionado e responde a tudo. Cerca de 100 residentes interessados no tema não arredam pé numa sessão que durou mais de três horas. Que lição esta dada por gente que não padece de vícios, assume ter muito para aprender, está apostada em contribuir para a afirmação do destino de natureza e não foge ao debate.

5. Os conselheiros do PSD foram apilhados. Os que se baldaram ao enfadonho Conselho Regional permitiram uma miserável acção de lambe-botismo ao líder em fuga. Os que lá foram legitimaram conclusões que são espécie de atestado de burrice. Que partido é este que ridiculariza a lucidez dos ‘filiados eleitores’, ao lembrar-lhes que “o voto é secreto” e que “o Conselho Regional confia na Consciência e na Inteligência” de cada um, embora desconfie que alguns são susceptíveis, deixando por tal um alerta para que ninguém se deixe influenciar "por qualquer tipo de pressão, pessoal, da comunicação social, de sondagens, etc.", mas também um aviso para que tenham presente “que o futuro da confiança da população no PSD, passa pela não entrega da Madeira e do Partido àqueles que sempre combatemos, cá ou em Lisboa, e que são expressão histórica e actual de colonialismo, roubo e exploração do Povo Madeirense, ou de cumplicidades com outros partidos”? Só faltou dizer em quem votar, como se fosse preciso!