Entende-se cada vez mais porque não foi aprovada na Assembleia da República qualquer iniciativa de criminalização do enriquecimento ilícito. Os casos recentes de detenções e condenações são excepções no universo político, onde os senhores dos partidos que por lá andam regulamentam à sua medida, não deixando a porta aberta para que a justiça tenha caminho fácil na busca da verdade. Não será compreensível que quase todos os que enveredaram pela política, embora queixando-se dos parcos rendimentos em relação ao privado, surjam anos mais tarde com património inexplicável pela simples conta de somar. Como não é explicável que, na despedida de qualquer cargo, lhes sejam oferecidos empregos dourados normalmente designados por tachos. O que ainda custa mais a ver são as tais subvenções vitalícias ou de reintegração para gente que sempre teve à disposição o lugar de onde saiu para o tal “serviço público”. E a lata que tiveram em querer acabar com a suspensão de tais mordomias, quando ainda aplicam sobretaxas ao comum dos trabalhadores. O que faz esta gente que se diz eleita, envergonha qualquer cidadão de bom senso. Não é minimamente aceitável que estes “eleitos” raramente cumpram com limites de endividamento, com multas aplicadas por infracção da lei, com deliberações do tribunal de contas. Tal como não é aceitável que os serviços fiscais deixem prescrever a grandes “senhores” pagamentos de impostos de quantias elevadas, penhorando no entretanto o salário ou a casa de um qualquer pobretanas que se atrasou no IMI. Por essas e outras que não acredito ainda em justiça quando se trata de gente influente e ligada ao poder. Os submarinos afundaram em Portugal, os vistos gold são um fait-divers, a Tecnoforma foi esquecida. Com um grupo económico a ter um buraco de milhares de milhões e ninguém preso ou detido, vai o comum cidadão acreditar que o seu filho vai ter trabalho honesto num mundo dominado por aldrabões que faliram empresas num dia e permite-se-lhes abrir outra no dia seguinte, exactamente do outro lado da rua?! Incomoda-me ver empresários que devem milhões à segurança social e colocaram em risco reformas de muitos trabalhadores, a passear de jaguar sob o beneplácito de um presidente de um governo regional que preferiu esconder a lista de devedores do povo. Quem melhor domina a arte de esconder, quando nem o governo todo sabia de tamanha dívida! Agora acaba o reinado com a praça do povo, quando meia ilha sabe que se não for feita a protecção ao novo cais, a primeira tempestade a sério que venha pelo sul vai atracar navios no muro do parlamento regional. As tontarias com que baptiza as críticas são iguais às do vice que atracou no lugar de baixo. Deviam ir os dois fazer surf pelas ribeiras fora, explicando à romaria de candidatos a líder dessa instituição que mandou na Madeira nas últimas três décadas, como é que se equilibra na cadeira do poder quem fez tanta porcaria sem sofrer consequências. E como é que conseguiram ser tão incompetentes, desde a Educação à Saúde e não esquecendo o Turismo, quando há por aí tanta gente que faria melhor com as duas pernas às costas.
Paulo Gomes