O presidente da Câmara de São Vicente, José António Garcês, foi aos Açores e ao concelho geminado de Nordeste garantir maior aposta no turismo de natureza e na promoção da Floresta Laurissilva.
Para além de estar a desenvolver o projeto Costa da Laurissilva conjuntamente com os concelhos vizinhos de Santana e do Porto Moniz, promovendo assim toda a costa norte da Madeira, José António Garcês assegura estar a trabalhar na criação de um Geoparque (ver destaque) “no sentido de não só promover os três concelhos, mas desenvolver toda a economia local e criar postos de trabalho”. Por sinal, no Nordeste, a dinâmica em torno do geoturismo é evidente, fruto do projecto ‘Terras do Priolo’.
Neste âmbito, o autarca garante ainda estar para breve a criação de um roteiro turístico que informe e promova o concelho e respectivos pontos de interesse, o que implica “a sinalização de toda a estrutura de caminhos pedestres e levadas, não só com a identificação do nome mas também com a distância e o grau de dificuldade do percurso”.
97 mil já passaram este pelas grutas Para atrair mais turistas, São Vicente vai continuar a promover os pontos turísticos do concelho, como os caminhos pedestres e levadas, o centro histórico da vila e a zona de surf. Mas também as Grutas e centro de Vulcanismo de São Vicente, que neste momento são a maior atração turística do concelho e uma das maiores da Região. Recebe anualmente cerca de 90 mil visitantes. Este ano e até Outubro, as visitas já são superiores às 97 mil. Uma procura crescente que vai levar a autarquia a criar no local um posto de turismo, “para que possamos informar e promover outros pontos de interesse do concelho a quem nos visita”.
José António Garcês assegurou que ainda falta explorar algumas lacunas existentes no destino, nomeadamente “o mar e todas as suas potencialidades turísticas”. Contudo, promete atender a todas as valências, “olhando sempre não como uma despesa, mas como um investimento”.
O autarca revelou que a preocupação pelo desenvolvimento do sector do Turismo levou a Câmara por si liderada a criar pela primeira vez um pelouro que promove e desenvolve todas as iniciativas nesta área. Mais, de forma a envolver os empresários do sector, a sociedade e a autarquia, também foi lançado o comité do Turismo, coordenado pelo vereador com o pelouro e composto por empresários, pessoas ligadas aos fundos comunitários e a Associação Comercial e Industrial do Norte da Madeira, e que se destina a debater os problemas e implementar soluções, sempre em consonância com os agentes locais.
As acções são relevantes para dinamizar o sector que mais contribui para a economia local e aquele que mais postos de trabalho gera. Mas de pouco valem se o concelho parar no tempo.
Apoio ao turismo desportivo e de lazer é para manterSão Vicente tem actualmente 700 camas hoteleiras distribuídas pelos diversos tipos de infraestruturas. Na restauração conta com cerca de 22 unidades no concelho. Ambas as vertentes confrontam-se com as especificidades do turismo sénior, o tipo de turismo predominante, embora nos últimos anos outros nichos de mercado ganhem preponderância, nomeadamente, no turismo desportivo, de lazer e de natureza.
No turismo desportivo fica a garantia de reforço de aposta no Surf, criando condições na Baía dos Juncos, local privilegiado para a prática desta modalidade e apoiando provas do circuito regional e do circuito nacional realizadas neste local. O ultra-traill e o canoying são duas outras actividades apoiadas, a par do rali de São Vicente e do São Vicente Cup - “torneio de futebol infantil que movimenta cerca de 600 crianças entre os 7 e os 12 anos, e cerca de 3 mil pessoas por dia durante os três dias do evento” - duas provas desportivas diferentes, mas que entende darem contributos para a economia local.
No turismo de lazer, entende manter apoios às festas de São Vicente, um dos maiores eventos ao nível regional, “movimentado numa só semana cerca de 100 mil pessoas que injectam na economia local mais de 650 mil euros”.Uma área com patrimónioUm Geoparque é uma área com expressão territorial e limites bem definidos, que possui um notável Património Geológico, associado a uma estratégia de desenvolvimento sustentável. Assim, o Geoparque integra um número significativo de sítios de interesse geológico que, pelas suas peculiaridades ou raridade, apresentam valor científico, educativo, cultural, económico e turístico, cénico ou estético, ou seja, podem ser considerados como geossítios. Estes locais podem, também, possuir outros motivos de interesse e valor (ecológicos, históricos e culturais), parques temáticos e outras infra-estruturas afins, que deverão estar ligados em rede, por trilhos e rotas.
Actualmente, a rede europeia abrange 22 países e inclui 64 geoparques, quatro deles em Portugal: Naturtejo, Arouca, Açores e Terra de Cavaleiros.
Geminar não é ir a procissõesNo concelho de Nordeste o turismo é a segunda actividade preponderante. Mas tem tudo para evoluir. Basta que melhore a oferta hoteleira e a qualidade dos serviços, que tenha estratégia e valorize a sua identidade. Ideias partilhadas pelo presidente da Câmara local, Carlos Mendonça durante a Conferência ‘Turismo - O Presente e o Futuro do Concelho de Nordeste’, que decorreu durante três hora na noite de sexta-feira passada Centro Municipal de Actividades Culturais locais.A este nível, o autarca está determinado em promover contactos entre empresários dos dois concelhos para que o desenvolvimento de ambos cresça e para que a proximidade aconteça de forma regular e profícua.
Aliás, entende que as geminações servem para troca de ideias e para projectar o futuro e não para que os autarcas dos concelhos irmãos se limitem a participar em procissões ou em festas.
