É hora de abrir regos.

1.Várias vozes decidiram peguilhar com a fuga estratégica, patrocinada por uma sociedade de advogados!, daquele que nunca ouviu nem pensou que o primeiro-ministro pudesse vir à Região elogiar o governo que decorou depressa o guião da austeridade e aprendeu da pior maneira como se deve ser rigoroso nas contas públicas. Não deviam. Com Jardim no Porto e Passos na Madeira ficou mais nítida a descontinuidade política e a consideração governativa por quem põe a economia regional a mexer. Por muitos defeitos que tenha, o primeiro-ministro manifestou elevado sentido de Estado. Por muito que tenha posto a pagar quem não tinha culpa nenhuma na dívida colossal, pelo menos agradeceu sem subterfúgios ao povo esforçado e humilhado o contributo real para acabar com o regabofe financeiro. Assim, enquanto um finge ‘ouvir & pensar’ e confunde verdade com hostilidade, outro não foge aos protestos e responde aos jornalistas. Tudo ficou mais claro.

2. Os 1.775 vistos ‘gold’ já emitidos renderam a Portugal em dois anos mais de mil milhões de euros, sobretudo em imobiliário. Apesar do contributo para a economia, os benefícios dourados alimentaram a zoada da semana. Não se sabia que autorizações temporárias de residência tinham efeitos multiplicadores e com características higiénicas: branquearam capitais, provaram que há corrupção ao mais alto nível, forçaram uma remodelação ministerial, garantiram que a Justiça do sítio funciona e que pela primeira vez um director de uma polícia nacional foi preso. O ‘labirinto’ só não é mais extenso porque o mercado imobiliário da Madeira não tem dimensão, nem estratégia de grupo, com cada empresa praticamente a trabalhar sozinha na promoção dos imóveis e, por isso, perdeu a oportunidade para fazer negócio e ser notícia pelas piores razões.

3. Por atremar está a constante e notada ausência de Conceição de Estudante nas sucessivas inaugurações na frente-mar funchalense. Quem souber que se ponha a caminho pois consta que o espectáculo continua na próxima sexta-feira.

4. Os renhetas não se conformam com as listas social-democratas já conhecidas. Uns notam demasiada Autonomia XXI nas cadernetas de dois dos seis candidatos e reprovam listas siamesas. Outros constatam que uma candidatura tem gente cuja acção política é desastrosa ou manifestamente horizontal e reprovam a ambição infundada. Alguns tendem a medir a intensidade das pressões que todos fazem. E até há quem note interesses comuns estrategicamente repartidos pelas listas já conhecidas, para que nada se perca! Num partido habituado a ser árbitro e jogador ao mesmo tempo e que altera regras com o jogo a decorrer vale tudo e quem paga quotas ou se deixa corromper a isso já devia estar habituado.

5. Os pseudoliberais, também conhecidos por serem individualistas sem princípios, foram apilhados nas contradições em torno das polémicas “taxas e taxinhas” que, de modo geral, já levam 285 euros por ano a cada português. Também por cá. O apetite fiscal é de tal maneira desmedido que depressa se tropeça em tanta gente convicta, que de manhã contesta as excessivas taxas aeroportuárias e os respectivos efeitos nefastos no turismo, mas que à tarde dá de barato um euro ou mais a cobrar por entrada de turistas. As taxas municipais turísticas que Aveiro lançou e depressa aboliu, que Lisboa de António Costa quis aplicar a todos os não residentes e que, mal começou a dar briga nos Açores, Fernando Medina foi obrigado a restringir a estrangeiros espelham bem o desnorte de quem julga que é com espertezas saloias que se dinamiza a economia. O que seria do destino Madeira se os 11 municípios resolvessem adicionar mais uns euros às já abusivamente existentes taxas de combustível e de segurança, de lixo ou de fogueiras, de audiovisual e de sacos de plástico, às moderadoras e às de justiça?