O retrato da Escola Pública na Madeira é fácil de traçar: desvalorizada pelo poder político, com oucos recursos e impotente perante os inúmeros problemas que diariamente a enchem.

Encontramos condições físicas cada vez mais degradadas em que falta quase tudo e em que, por isso, tem de haver o permanente recurso à improvisação mas, sobretudo, encontramos crianças e jovens confusos e desmotivados e profissionais exaustos. Todos os dias há um enorme esforço, da parte de uma grande maioria, para, contra todos os actos do vandalismo destruidor do poder político, fazer cumprir os princípios constitucionais democráticos de uma escola para todos.

Parafraseando o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, “a escola pública está fragilizada mas ainda não ruiu”, a par da escola do mero formalismo e da escola do cansaço, da luta diária, dos problemas, dos conflitos e até, infelizmente, de violência, há ainda a escola do trabalho árduo mas com bons frutos em que tantos e tantos profissionais se empenham, quotidianamente, contra ventos e marés. A escola que serve os alunos e lhes proporciona experiências de valorização pessoal e de construção dos sonhos e da felicidade a que têm direito.

Apesar dos cortes cegos que comprometem as respostas fundamentais de inclusão, apesar da redução de meios humanos e materiais, apesar da selectividade crescente do sistema, apesar da traição feita à autonomia e aos interesses específicos e legítimos dos madeirenses, as escolas continuam a fazer uso das prerrogativas democráticas de Abril porque apesar dos esforços do poder político para a sua descredibilização através da canalização de dinheiros públicos para o ensino privado, há ainda indubitável qualidade no serviço público.

Isabel Cardoso