Depois das férias e no fim do verão, Setembro vem acompanhado de muitos medos e angústias para os jovens que anseiam pelos resultados das colocações nas universidades.

Pais e filhos associam-se numa azáfama de inquietações, de medos, de esperanças, de projectos e concretizações.

Contudo, esta nova etapa está associada a muitos “rasganços”. Ir para a universidade não é somente uma mudança de escola é em muitos casos uma mudança de vida e de morada.

Deixar a casa de família, conhecer uma nova cidade, uma nova forma de estar e um projecto de autonomização.

Para muitos jovens é a primeira vez que tem oportunidade de experimentarem a ausência dos pais, e os pais por mais felizes que estejam sentem que se iniciou um caminho, irreversível, de afastamento.

Todavia nem tudo são facilidades. A autonomização/individuação deve ser um caminho continuo e muitas vezes os adolescentes, supostos adultos porque atingiram a maioridade sentem-se muito perdidos e muito desamparados. Não sabem como gerir uma casa, não sabem como organizar o tempo e muitas vezes desconhecem que quando se lavam pratos tem de ser de ambos os lados…

Assim desenvolvem-se, por vezes, quadros depressivos e ansiosos por incompetência para estarem sozinhos e por esta mudança constituir apenas uma pseudoautonomização, é expectável que façam um percurso que está previamente definido, que de alguma forma determinará o futuro e que não permite falhar.

Os pais, também eles, ficam tão assustados que promovem a dependência, marcando viagens quase semanais à região, arranjando desculpas para irem ver os filhos, tentando controlar todos os passos e aproveitando para organizar as residências como se assim os filhos voltassem a ser pequeninos, Não podemos ficar paralisados pelo medo e tolhidos pelo vazio que a ausência dos filhos representa. É esperado que ao longo da vida nos tenhamos preparado, e simultaneamente preparado os filhos, para voarem, porque por muito que nos custe os filhos não são nossos.

È importante estar envolvido, mas é essencial que se dê espaço e tempo para uma adaptação a uma nova realidade, a uma nova vida, a um novo caminho.

A universidade tem de ser vivida, na sua essência, como uma parte fundamental do percurso de crescimento e de autonomização. Por vezes, é necessário vivermos angustiados para depois podermos sentir o prazer da missão cumprida.

Pedro Duarte