"É incrível que ainda haja quem finja que são os programas e as ideias que decidem os votos. As pessoas votam em pessoas e em partidos e, se e quando coincidem os dois impulsos, maior e mais fácil é a festa." - Miguel Esteves Cardoso, Diário de Notícias a 09/10/2005
A frase do Miguel Esteves Cardoso que vos apresento acima, parece-me descrever perfeitamente a forma como o PSD/MADEIRA ganhou as eleições nos últimos 40 anos. Sob a égide de uma liderança carismática, associada a um grande partido, ou vice-versa. Neste momento, o partido está a viver um momento histórico pois ao fim de quatro décadas está em vias de decidir o próximo líder. Só temos de tentar que "a festa seja para todos nós" sem excepção, militantes ou não. Até ao momento já se assistiu, ou tivemos conhecimento, de imensas ocorrências que revelaram, algum sentido de estratégia e ou de estratagema (o leitor entenda este termo com um sentido prejurativo). Por um lado, e envolvendo a maioria dos candidatos, o mais badalado e revelador exemplo, foi a caça aos subscritores. Por outro lado, da parte de alguns militantes, a subscrição a várias candidaturas como se este momento fosse algo parecido a colecionar cromos de caderneta. Seja como for, estas ocorrências levaram-me a refletir na forma como os eleitores e particularmente nós, militantes, nos portamos durante as campanhas até ao momento final do sufrágio e senti um misto de apreensão e preocupação, Entre diversas conclusões, parece-me que continuamos a ser egoístas e de vistas curtas, porque a maioria não tem a consciência de que este enredo terá influência em todos nós, sem excepção. Repito: em todos nós! Estas eleições para além de determinantes para o partido são cruciais para o futuro da Região Autónoma da Madeira, não podemos perder esta oportunidade de "baralhar as cartas" a nosso favor. Este meu repto surge baseado num estudo efetuado pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico) onde 367 regiões de todo o Mundo foram comparadas. Destas 172 são regiões da União Europeia onde constam a Madeira e os Açores. O estudo incidiu em várias áreas do ano de 2013, mas neste meu texto vou destacar a Educação, Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Acessibilidade a Serviços. Não me quero alongar demasiado em questões estatísticas, por isso vou só referir o posicionamento da Madeira nestas áreas, em comparação com os nossos congéneres Açorianos. Na área da Educação encontramo-nos em 171.º, os Açores está em 172.º; na Segurança estamos em 151.º, os Açores estão em 156.º; na Saúde posicionamo-nos em 153.º, os Açores em 160.º; no Meio Ambiente estamos em 4.º, os Açores está em 1.º e na Acessibilidade aos Serviço em 150.º, os Açores aqui está em 124.º. Contudo para que o leitor não pense que sou um arauto da desgraça, a OCDE nesse mesmo estudo refere que a Madeira entre 2000 e 2013 revelou progressos nas áreas da Educação, Saúde, Meio Ambiente e Acessibilidade aos Serviços. A única área onde revelou um declínio foi na Segurança. Apenas quero ressalvar que a partir daqui podemos ter uma ideia de onde podemos obter dividendos e onde temos de melhorar imperativamente. O objetivo não é entrarmos em disputas, mas tentar perceber que a realidade pode ser bem distinta do que nos querem fazer crer e que mesmo nos melhores cenários estatísticos e descritivos por parte de agências de rating e de instituições como a OCDE, a nossa qualidade de Vida pode não estar a correr da melhor forma. Aliás, vejamos o caso da austeridade... É necessário ter um sentido de estratégia global e globalizante, devemos ter em mente que o que precisamos é de novos intervenientes, mais capazes, altamente motivados e acima de tudo criativos. Atentos à sociedade e ao exterior para melhor nos adaptarmos. A realidade é que estamos a chegar ao fim da linha em que as opções irão escassear (em algumas áreas da sociedade madeirense já quase parece impossível manter o edifício de pé) e o cenário, se não “metermos mãos à obra”, irá definhar cada vez mais. É curioso ver que nestes meses de campanha apareceram mais soluções que em 10 anos de governação, que teriam evitado alguns males de que padecemos nesse período de tempo, mas que parecem de impossível implementação, até para os candidatos governantes... Por isso já tenho vindo a afirmar que a escolha não pode incidir sobre intenções de um programa, ou medidas avulso. Já o fizemos e as coisas estão como se vê. Existem opções (candidatos) para todos os gostos. Todavia, temos de olhar para a génese, a história do partido e da Região e ver qual o candidato que oferece um novo caminho, um percurso livre e participativo, uma renovação calma e serena sem os fantasmas e dogmas do passado, que nos devolva o genoma da social-democracia e a capacidade reformista que caraterizava o nosso partido. Eu já realizei esse exercício, há muito tempo atrás, e decidi que essa pessoa é o Sérgio Marques. Antes de me envolver na campanha do Sérgio apenas conhecia o deputado do parlamento europeu, o seu trabalho e pouco mais. A pessoa não me dizia muito ou quase nada. Entretanto, já estou no grupo do Sérgio há algum tempo, fiz, na sua companhia, campanha de porta em porta na freguesia de São Roque, foram alguns quilómetros percorridos e muitas conversas com os militantes. Apercebi-me de imediato da forma humilde e inteligente com que ouve e pede opiniões, a forma como nos motiva e se prepara para os momentos e questões mais determinantes. É um senhor na verdadeira concepção da palavra! O Sérgio tem mostrado uma pró-atividade tremenda nas suas propostas, algumas que já tinham sido lançadas antes da entrega oficial da candidatura: a questão do ferry, a questão da reforma da assembleia, a questão da reforma da administração pública, etc. É portador de um pensamento e visão modernos e que todos nós temos o dever de o rentabilizar, temos de tirar partido desse potencial sob pena de fazermos uma longa travessia no deserto. Gostaria de deixar uma nota final e em jeito de reforço, estamos em vias de escolher o próximo líder, e esse não deve ser um ato isolado em cada um de nós, temos o dever de dar o nosso valioso contributo em prol de uma maioria. Não nos esqueçamos disso! Temos o futuro em cada um de nós e digo-vos que ele estará em melhores mãos com o Sérgio Marques.
Francisco Gonçalves