No início deste artigo refiro a eminente disputa eleitoral partidária no Arquipélago, onde se assiste a um frenesim suplementar, ampliado pela quantidade de candidatos e de facto, pela novidade em saber, como a democracia está exuberante neste território longuínquo do nosso Continente. Afinal a democracia existe e manifesta-se nessa livre decisão de concorrer á liderança de um partido político. E, com calma, vamos aguardar o desenrolar do processo, para perceber nos próximos “capítulos” e depois no “final end”, quem afinal ganhou a “corrida”.
E vamos diante! Uma vez mais falo de um assunto onde não pretendo sugerir qualquer solução, ... porque os meus comentários neste espaço não são com o intuito de dar ou apresentar soluções a não ser nas matérias relacionadas com a saúde, onde estou mais informado, pelas exigências profissionais. E por falar no “ diabo” ... vou falar mesmo de saúde, para dizer que esta - a Saúde - e os Acessos - portuários e aeroportuários - são os assuntos mais relevantes e mais importantes para quem vive numa ilha oceânica, a 90 minutos de distância aérea dum continente. E os mais importantes a debater por qualquer candidato político, seja de que partido for! Porque, vender o território Madeira até pode ser fácil ... e, qualquer pessoa que nos visite - se for reconhecidamente valorável, ainda melhor - tem normalmente boas opiniões da nossa ilha. O surfista Garrett McNamara é um exemplo disso ... veio cá visitar-nos, ... e a sua boa opinião desta terra, não podia ser mesmo outra - ainda mais com as belas ondas que o oceano nos concedeu, ... e nós que desconhecíamos como elas valiam tanto! Ter uma boa opinião desta ilha, não é favor nenhum, se tivermos em conta, as suas infindáveis belezas naturais - e interrompo para perguntar: - quantos dos leitores conhecem 4 percursos diferentes das nossas levadas - com uma amenidade climática, com um oceano límpido e tépido, com ondas gigantes para quem gosta e as sabe aproveitar e com um povo acolhedor e naturalmente bem disposto. Esta é a nossa realidade! E é isso mesmo que temos de oferecer - essa nossa realidade - e as praias de calhau com melhores ou piores acessos ao mar, são um óptimo exemplo de tudo isto. O Porto Santo tem vento, tem muito vento - que é motivo de desagrado para muitos que o visitam - mas o vento é a realidade do Porto Santo. E é essa realidade que tem de ser vendida!
A Ilha do Sal no Arquipélago de Cabo Verde é procurada por imensos desportistas para fazer o kitesurf, exactamente porque tem vento e tem mesmo muito vento. A ilha do Porto Santo - que fica aqui á mão de semear - tem esse mesmo vento e não sabe vendê-lo! Tem de o fazer, ... e tornar essa ilha menos sazonal, se puder ser classificada como destino desportivo para actividades náuticas, com o kitesurf incluído. Temos de vender aquilo que temos! E com muita sorte nossa em o ter! Mas se não são os políticos que têm de saber destas coisas, serão os médicos , como eu?
Quem promove a ilha ou as ilhas, tem de atender ao que existe e ao que é utilizável e rentável. Promover divertimento nocturno numa ilha sub-tropical é absurdo! As ilhas têm de vender a sua natureza ... que as caracterizam desde as suas origens. E podem ter muita gente para a comprar! Desde que, haja acessos, pelos portos, pelos aeroportos e desde que a estrutura sanitária, suporte e supere as eventualidades que possam ocorrer.
José Manuel Morna Ramos