Professor sem lista Pavoneiam-se arlequins no teatro da docência. Gritos mudos nunca passarão de gritos mudos. Caçadores famintos armadilharam a réstia de esperança de centenas de professores. Milhares. Na lotaria do trabalho os professores e os enfermeiros são os primeiros a sair. São os primeiros a serem desrespeitados e maltratados. Tratados como ébolas ou como ninguéns.

Os professores, quais figurinos na sátira do ensino, apanham um pouco mais. Falta-lhes ordem. Uma Ordem. Alguém que arrume a casa e a organize. Que a defenda com unhas e dentes. Com âmago e com decência. Que respeite, que seja respeitado e que faça com que nos respeitemos e que nos respeitem.

Cortes e mesmice. Mesmice e cortes. Didascálias no teatro da educação. Mais aviões fretados para despachar docentes. Pouco importa os anos de serviço, a família que se deixa ou a dor que se sente. Se o objetivo é cortar na despesa porque não começar “por cima”? Nos idos anos de serviço (que Deus os guarde!) nunca entendi para que serviam as delegações escolares? Para quê? Não resolvem nada. Qualquer problemática, por menor que seja, é resolvida na Secretaria… São instituições estáticas e inúteis e qualquer leigo percebe perfeitamente porque foram criadas.

E na Secretaria quem é que manda? Quem manda aparece na comunicação social? Ou leem-se os resultados dos referendos no teleponto? E a quantidade de doutores que são intitulados e não possuem título? É absurda.

Dói… ver gente competentíssima no desemprego e gente incompetentíssima no trabalho. Dói… ver gente sem formação a lecionar em ciclos que não são os “seus”.

Dói… ver gente que trabalhou muito mais que as horas estipuladas para ajudar a Secretaria e a DRE e na hora da verdade foi deitada fora como um guardanapo imundo. Dói… ver rastos de destruição no teatro da educação e um futuro que, além de ser negro, não tem futuro.

Grunhe o leão. Lá fora é a selva. Salve-se quem puder. Escarneie-se o próximo e infeste-se de maledicência os colegas de trabalho. Salve-se quem puder.

Responsabilize-se os pais, os encarregados de educação, os professores, a ausência de crianças… construa-se uma pirâmide de desculpas (esfarrapadas ou maltrapilhas?). E que ninguém se esqueça: os professores são os culpados pelos buracos e pelas crises e devem ser eles a pagar a fatura!

Adenda à didascália: continuem a abrir mais vagas para professores na Universidade da Madeira. E em todas as outras!