O grande mérito de uma eleição é, precisamente, a troca de ideias e a partilha de visões… a análise de cenários e discussão de soluções. É o momento certo para “parar e pensar”… para o necessário e revigorante Brainstorming. E é exatamente isso que temos assistido na Madeira, a propósito das eleições regionais para líder do PSD local. A elevação do debate público, a clareza na identificação dos problemas, a originalidade das soluções, desprendimento de ideias enraizadas e vontade de mudança, mostram-nos a vitalidade de uma força politica. Há muito que pensei que os Políticos tinham “morrido” na sua essência, bem como a sua “profissão”… (que nunca foi…!). Confesso que tudo isto tem despertado o interesse de todos aqueles que, de uma forma positiva, pretendem soluções para os seus problemas. Podemos concordar ou discordar do tom, da personalidade, da forma como gesticula, do passado ou da informação da “rádio alcatifa”, mas há algo que já ganhamos com estas eleições: a vontade em mexer… em mudar… em melhorar… a capacidade de união e mobilização dos militantes e população em geral, na discussão dos problemas… quando todos sentíamos afastamento e cansaço político, eis que, ao contrário do esperado, a divisão interna de candidatos está precisamente a servir para unir o partido e a sociedade em torno de questões basilares. E aqui, há um tema e solução comum. Talvez o mais importante: Necessidade de Autonomia Fiscal (a par da autonomia orçamental e politica…). Todos concordam: dentro e fora de portas. Afinal, foi por isso que a Escócia foi a votos e… ganhou antes dos votos… Foi por isso que a Catalunha está para ir a votos e… já ganhou antes dos votos… E é por isso que vamos a votos e… já ganhamos antes dos votos: pelo consenso na solução. A diferença está no modo como o vamos fazer: com rutura? Com diálogo? E a este propósito, gostaria de alertar: é insuficiente! A autonomia fiscal, com CINM ou sem CINM, no Caniçal ou em toda a região, com mais Governo e menos privados ou não, não é suficiente…! Daí a questão do copo meio cheio ou meio vazio… É necessário captar investimento e empresas? É…! Temos de duplicar as receitas? Sim… como? Só com captação de novas empresas para o CINM? Não… é necessário e fundamental, TAMBÉM e não só, a captação de Particulares, de Consumidores. Vivemos numa Economia sem Economia, numa Escala sem Escala… temos tudo para dar e oferecer e temos de saber vender… nós não temos “escala” de consumo… faltam pessoas e consumidores…! Temos 270.000 habitantes = 60.000 famílias… Destas, metade tem capacidade de aquisição… ou seja, a economia doméstica está assente em 30.000 famílias… Não é suficiente! Não há nenhum negócio, nenhuma loja comercial, ou restaurante, ou investimento, que sobreviva a tão reduzida “escala”. Por isso: porque não alargar os benefícios fiscais a jovens casais? Porque não apostar numa política de captação de jovens casais com formação, com soluções de arrendamento jovem, com uma política habitacional de baixo custo, com capacidade de fixação na região? Porque não apostar em políticas de fixação de recém-licenciados? Porque não apostar na captação dos jovens do interior do País? porque não apostar no regresso de emigrantes e seus familiares à Região ? Criando áreas de apoio ao investimento; uma loja do cidadão para emigrantes, transmitindo a mensagem de que são bem-vindos e precisamos dos seus investimentos… A Madeira já tem infraestruturas suficientes… tem tudo o que outros procuram e não têm: temos localização privilegiada no Atlântico, temos Sol, temos natureza, temos paz social, temos segurança, temos uma população simpática e acolhedora, queremos e devemos investir no Turismo (não para aumentar nº de camas mas sim para aumentar áreas de criação de valor, com novos nichos de mercado: turismo saúde, turismo desportivo, turismo jovem, turismo cruzeiro, etc…) MAS, falta-nos dimensão… faltam consumidores… falta população… precisamos de uma população a rondar 1 Milhão de habitantes… precisamos de movimento, de economias de escala… sem isto, não há atividade económica que resista… podemos dinamizar o CINM e captar mais 10.000 empresas (é necessário) mas não será suficiente: precisamos de atrair pessoas… mais população… mais consumidores residentes e não apenas população flutuante. A revisão e autonomia fiscal têm de orientar-se para a captação de Empresas e, sobretudo, para a captação de “massa crítica”… de consumidores. A par destas políticas na ótica da receita, temos muitas mudanças para efectuar também na ótica da despesa: • Redução peso do Estado: emagrecer o peso do sector público; uma economia não funciona saudavelmente com 50% da população ativa a depender direta ou indiretamente do Estado. • Redução despesa Estado: seja por via da Saúde e Educação (novos paradigmas: com autonomia e com despesa + receita, ou sem autonomia e consequentemente sem receitas / despesas); pela redução de Câmaras Municipais (270.000 habitantes e 11 – onze – Câmaras Municipais? Uma, é mais do que suficiente…) • Moralização do Estado, da política e dos políticos: se temos de entregar e confiar a nossa gestão à política e a políticos, então temos de moralizar o “sistema”: começando pela moralização da “casa democrática”. É preciso cortar subvenções, é preciso reduzir o nº de deputados e a despesa da Assembleia Regional (uma vergonha), é preciso cortar e acabar com direitos adquiridos e definir uma lei séria de incompatibilidades… é preciso ainda, ter a coragem de, não apenas alterar para o futuro mas, a bem da moralização e equidade e justiça social, acabar com as situações existentes, mesmo que dispondo para o passado (é possível tal como foi possível na situação de cortes nas reformas, afinal disposto para o passado na medida em que cortamos com expectativas… se é possível para reformados, também tem de ser possível com políticos) E, fora desta ótica de receita e despesa, teremos de orientar toda a sociedade para um Ideal Madeirense, uma linha de orientação comum: o Turismo e a Qualidade… Tudo deve ser revisto em função da maior atividade exportadora local e de maior importância para a economia = o Turismo. A análise de investimentos e projetos futuros deve dela depender e a sua aprovação deve estar condicionada aos impactos nesta indústria, majorando na mesma proporção da criação de valor… A aposta na Qualidade, na Excelência = deverá ser outro trunfo. Nós temos a Qualidade… a excelência do serviço… tratamos e recebemos como ninguém é capaz… mas não podemos ficar pela política do preço baixo… Resumidamente: temos um copo meio cheio ou meio vazio… depende agora da nossa capacidade de cooperação e de trabalho em equipa… sem falsas modéstias quanto à origem e paternidade das soluções… interessa sim, um trabalho sério, com profissionais experimentados e validados, por pessoas com experiência do mundo real… do dia-a-dia…
* Militante PSD Madeira nº 12916
Victor Bettencourt Calado *