Continuo convicto de que a aldeia global gerada pela Internet e pelas redes sociais traz mais ganhos e proveitos do que perigos para as nossas vidas.

No entanto, um estudo divulgado na semana passada mostrou-nos de forma clara uma realidade geracional na qual ainda estamos a dar os primeiros passos: 1 em cada 5 jovens com idades abaixo dos 16 já marcou encontros com estranhos que só conhecia das redes sociais. Entre estes, com 10 anos, 5,1% já o tinha feito, mas a partir dos 16 a média já passava dos 40%.

O estudo – uma tese de mestrado – realizado no Norte do país indica também que 55% dos inquiridos criaram uma conta nas redes sociais antes ou aos 10 anos de idade.

Além de numa boa parte destes casos estarmos perante crianças e pré-adolescentes, o que para eles é diferente do que para os mais velhos é o facto de já crescerem e se socializarem num Mundo em que, para eles, sempre foi assim. Não têm por isso (nem podem ter) a noção de um Mundo onde há um par de anos atrás a distância física não era facilmente apagada pelos meios que hoje nos tornam mais próximos uns dos outros. Isto não é necessariamente bom ou mau, mas mudou por completo a forma como os mais novos hoje percebem a realidade que os rodeia.

Como podem uma mãe ou um pai pedir a uma criança que não fale ou se encontre com estranhos se o conceito de “estranho”, “amigo” ou “conhecido” se modificou tanto entre as duas gerações? Este é um dos desafios dos nossos dias.

As redes não são uma moda; vieram para ficar. Como já aqui escrevi, e apesar dos muitos estudos e análises que se têm feito em todo o Mundo sobre este fenómeno, creio que ainda só conhecemos uma ínfima parte dos efeitos que esta realidade provoca em todos nós. [email protected]

Luís Sena-Lino