
Uma praia que afinal não é praia, um cais de cruzeiros que afinal não é cais, uma maqueta trabalhada que não é verdadeira, ribeiras que se transformam em viveiros de pesca, uma obra que antes de ser inaugurada já entrou no anedotário regional e pode ganhar internacionalização. É isto que, todos os dias, dezenas de funchalenses vão ver, à ponta do velho cais da cidade, estrutura que continua a ser das mais sólidas da zona. Depois de anos de protestos, de centenas de vozes que se manifestaram contra o projecto, vingou a teimosia, a ignorância arrogante de quem nunca aprendeu a ouvir, que nasceu politicamente surdo. Tão surdo e cego que até meteu no projecto contestado até pela câmara aqueles que desenharam uma marina que não é marina, mas que já afundou milhões que davam para construir três ou quatro. Obras da frente mar do Funchal que até levaram à expulsão do partido de quem tinha razão e apostou que, no fim, depois de todas as asneiras, ninguém seria responsabilizado. Acertou.