A 1 de Novembro o União comemora mais um aniversário. Não poderia deixar passar esta data sem enaltecer o trabalho de um homem do mar cujas aventuras passamde geração em geração na minha família.Refiro-me ao meu bisavô materno, um dos fundadores do União que, apesar de nunca ter pertencido aos órgãos sociais do clube, foi o grande responsável pela sua criação.
O ‘União Foot-ball Club’, cuja nomenclatura deixava clara a intenção maior da sua origem, surge fruto de uma contenda entre membros que integravam a equipa do Grupo União Marítimo. O problema estaria em torno da compra, sem autorização, de duas balizas que eram propriedade do entretanto extinto Clube Operário Madeirense. Após esta cisão, foi César da Silva quem cedeu a sua casa na rua de Santa Maria para aí instalar a primeira sede do clube, quemliderou os primeiros jogadores entre os quais Amadeu, Armando, Fulgêncio, Ascensão, Paulo, Gavião, ‘Gesso’ e ‘Sacalouros’ e quem comprou as sapatilhas para alguns jogadores e os lanches – pão com molho – reunindo à mesa a equipa após os treinos e os jogos, com dinheiro angariado através de uns biscates que fazia na Rua Fernão de Ornelas.
Em 1918, juntamente com os restantes colegas da equipa, César da Silva recebeu um voto de louvor da Direcção do clube por integrar a primeira equipa a vencer o Marítimo no Campeonato da Madeira, num jogo que ficaria conhecido como o ‘jogo do escuro’ e que ditaria a cessação de funções da recém-criada Associação de Futebol. Em 1921 foi campeão da Madeira.
Contudo, o ofício que lhe garantia a subsistência não permitia estar tão presente na vida do clube quanto desejaria. Esta situação agravou-se enquanto lutou, durante longos anos, contra uma doença que lhe ditaria a morte. No entanto, acredito que acompanhou e aplaudiu os passos do clube que ajudou a criar, nomeadamente o papel fundamental que o clube assumiuna criação da Associação de Futebol do Funchal e o furor que o mestre Medina gerou no desporto madeirense na década de 50.
Andreia Nascimento