No caso do colapso da plataforma Citius, sabe-se em que é que consistiu a teimosia Episódios como o caos que se instalou na plataforma Citius do Ministério da Justiça, bem como as tropelias que ocorreram no processo de colocação de professores, têm vindo a colocar em crise a confiança com que os portugueses olham as instituições, sem embargo de se reconhecer que os sistemas de Educação e de Justiça são dois dos pilares estruturantes de qualquer sociedade. Dos quais tudo ou quase tudo depende. Ocorre que o processo de colocação de professores foi o que foi, com colocações por fazer e vagas por preencher várias semanas depois de ter tido início o ano escolar, enquanto os tribunais, depois de terem conhecido o caos numa altura em que a responsável pela tutela havia prometido que tudo estaria a funcionar em pleno retomaram o curso sem que a situação se encontre ainda normalizada. Valendo dizer que a normalização vem longe ainda, porquanto não se mostra possível recuperar dos desmandos a que o sistema foi submetido e que ocasionaram atrasos cujos efeitos hão-de perdurar por muito tempo, em poucos dias. Tanto num dos casos como no outro as malfeitorias de que os processos foram objecto ocasionaram estragos que continuam a perdurar com reflexos relevantes na vida dos cidadãos bem como na credibilidade do sistema. Dir-se-á que o mal está feito, pelo que agora importante é limitar e circunscrever a delimitação dos seus efeitos. Será assim, seguramente. Mas é importante também que quem foi responsável pela cataclismo que ocasionou danos irremediáveis na vida nacional assuma as consequências para que os portugueses fiquem seguros de que a culpa, conforme recorrentemente ocorre em situações que tais, não irá morrer solteira. Constitui um princípio de justiça a possibilidade de nos assegurar-nos que cada um será premiado conforme os seus méritos e sancionado de acordo com as suas culpas. É isso o que está a acontecer? Não, o que ocorre é a responsável pela gestão da Justiça vir dizer que vai agora mandar instaurar procedimento para averiguar aquilo que se passou e a quem é impotável a responsabilidade do sucedido. A prática de instaurar processos de averiguação para encontrar responsáveis é antiga, sabendo-se por demais áquilo a que conduz. No caso do colapso da plataforma Citius, sabe-se em que é que consistiu a teimosia e quem é o principal responsável pelo “contratempo” conforme despudoradamente já se lhe chamou, que acarretou prejuízos para muitos e muitos portugueses. E não apenas para portugueses, porquanto nestes tempos que se vivem não são poucos os não residentes que procuram o conforto da Justiça portuguesa. Esses sofreram na pele as consequências dos desmandos a que o sistema foi submetido O que é espantoso mas não propriamente estranho é que ninguém assuma as suas responsabilidades, postura de resto que constitui um tique antigo da cultura portuguesa. As coisas acontecem mas são poucas as vezes em que se ergue um responsável para assumir as culpas. Podem ocorrer os maiores desmandos na vida portuguesa sem que seja apontado um responsável, um culpado. Os portugueses já se habituaram a isso. Daí a estranheza com que foi recebida a noticia das penas de prisão efectiva impostas a um ex-ministro socialista e a outros que o acompanharam no mesmo processo que foi julgado no tribunal de Aveiro. Isto numa circunstancia, em que se aguarda com uma expectativa que não é apenas feita de curiosidade mórbida, aquilo que vai resultar do processo BES . Poderão escapar impunes os responsáveis de uma das poucas instituições de referência portuguesas num momento que se sabe e foi já assumido por responsáveis que este “dossier” irá ter inevitavelmente reflexos na situação económica portuguesa? Seria a vários títulos catastrófico que tal acontecesse! Carlos Sequeira
No caso do colapso da plataforma Citius, sabe-se em que é que consistiu a teimosia
Episódios como o caos que se instalou na plataforma Citius do Ministério da Justiça, bem como as tropelias que ocorreram no processo de colocação de professores, têm vindo a colocar em crise a confiança com que os portugueses olham as instituições, sem embargo de se reconhecer que os sistemas de Educação e de Justiça são dois dos pilares estruturantes de qualquer sociedade. Dos quais tudo ou quase tudo depende.
Ocorre que o processo de colocação de professores foi o que foi, com colocações por fazer e vagas por preencher várias semanas depois de ter tido início o ano escolar, enquanto os tribunais, depois de terem conhecido o caos numa altura em que a responsável pela tutela havia prometido que tudo estaria a funcionar em pleno retomaram o curso sem que a situação se encontre ainda normalizada. Valendo dizer que a normalização vem longe ainda, porquanto não se mostra possível recuperar dos desmandos a que o sistema foi submetido e que ocasionaram atrasos cujos efeitos hão-de perdurar por muito tempo, em poucos dias. Tanto num dos casos como no outro as malfeitorias de que os processos foram objecto ocasionaram estragos que continuam a perdurar com reflexos relevantes na vida dos cidadãos bem como na credibilidade do sistema.
Dir-se-á que o mal está feito, pelo que agora importante é limitar e circunscrever a delimitação dos seus efeitos. Será assim, seguramente. Mas é importante também que quem foi responsável pela cataclismo que ocasionou danos irremediáveis na vida nacional assuma as consequências para que os portugueses fiquem seguros de que a culpa, conforme recorrentemente ocorre em situações que tais, não irá morrer solteira. Constitui um princípio de justiça a possibilidade de nos assegurar-nos que cada um será premiado conforme os seus méritos e sancionado de acordo com as suas culpas. É isso o que está a acontecer? Não, o que ocorre é a responsável pela gestão da Justiça vir dizer que vai agora mandar instaurar procedimento para averiguar aquilo que se passou e a quem é impotável a responsabilidade do sucedido.
A prática de instaurar processos de averiguação para encontrar responsáveis é antiga, sabendo-se por demais áquilo a que conduz. No caso do colapso da plataforma Citius, sabe-se em que é que consistiu a teimosia e quem é o principal responsável pelo “contratempo” conforme despudoradamente já se lhe chamou, que acarretou prejuízos para muitos e muitos portugueses. E não apenas para portugueses, porquanto nestes tempos que se vivem não são poucos os não residentes que procuram o conforto da Justiça portuguesa. Esses sofreram na pele as consequências dos desmandos a que o sistema foi submetido O que é espantoso mas não propriamente estranho é que ninguém assuma as suas responsabilidades, postura de resto que constitui um tique antigo da cultura portuguesa. As coisas acontecem mas são poucas as vezes em que se ergue um responsável para assumir as culpas. Podem ocorrer os maiores desmandos na vida portuguesa sem que seja apontado um responsável, um culpado. Os portugueses já se habituaram a isso. Daí a estranheza com que foi recebida a noticia das penas de prisão efectiva impostas a um ex-ministro socialista e a outros que o acompanharam no mesmo processo que foi julgado no tribunal de Aveiro. Isto numa circunstancia, em que se aguarda com uma expectativa que não é apenas feita de curiosidade mórbida, aquilo que vai resultar do processo BES . Poderão escapar impunes os responsáveis de uma das poucas instituições de referência portuguesas num momento que se sabe e foi já assumido por responsáveis que este “dossier” irá ter inevitavelmente reflexos na situação económica portuguesa?
Seria a vários títulos catastrófico que tal acontecesse!
Carlos Sequeira