De acordo com uma sondagem promovida por um diário nacional, 46,5% dos portugueses consideram os políticos do Estado Novo mais honestos que os actuais, em sintonia, a OCDE concluiu que apenas 20% dos portugueses confia no Governo, desconfiança apenas ultrapassada pelos 10% de cidadãos nacionais que confiam nos partidos políticos. Posto isto, a taxa de abstenção de 42% nas últimas eleições legislativas, para além de preocupante, é um dado garantido. É este o país que temos, é esta a ilha em que vivemos, em que os cidadãos deixaram de depositar nos agentes políticos a confiança que, por sua vez, permite a sua representação e, em última linha, o funcionamento da democracia. Por mais relevante que seja, e certamente será, a discussão da dívida pública, da taxa de desemprego ou da carga fiscal, estaremos a “construir a casa pelo telhado”, sem resolver o problema que, lentamente, mina o futuro do nosso país e da nossa região. Hoje em dia, os 47 deputados que compõem a Assembleia Regional custam cerca de 5 milhões de euros, incompreensivelmente, cinco vezes mais do que custam os 230 parlamentares eleitos para a Assembleia da República. Hoje em dia, a Madeira, ao arrepio do resto do país, permite a acumulação da pensão de reforma com o salário pelo exercício de cargo público e mantém benesses a ex-deputados, extintas a nível nacional em 2005. Sejamos claros, e já aqui abordei o tema, não façamos da política uma actividade penosa e que mendiga dignidade. Se queremos os melhores a liderar o destino da nossa região, teremos de criar condições razoáveis para isso. Todavia, o momento em que um político se escapa aos sacrifícios que impõe aos seus eleitores, é o momento em que os deixa de representar, em que cessa de existir uma ligação efectiva entre um e outros. Desde a primeira hora, são estas as propostas concretas do Miguel Albuquerque, a redução imediata das subvenções parlamentares, a limitação de mandatos do cargo de Presidente do Governo e o fim das benesses a antigos deputados. Apenas assim, devolveremos aos madeirenses a possibilidade de voltarem a confiar nos seus eleitos.
João Paulo Marques