Em 1965, na Capela da Ajuda, aprendi com o Padre Rufino, o que era a Democracia e a Liberdade bem como os «cinco ismos» , apesar de vivermos em plena ditadura salazarista.
O Cristo, filho de Deus , que me ensinou, não era castigador. Era libertador. Não apelava à resignação, mas sim à luta por melhores condições de vida terrena.
O «meu» Padre era um acérrimo defensor da «Pacem in Terris», do Concílio Vaticano II. Em 1969 foi um dos 4 sacerdotes católicos que, conjuntamente com outros antifascistas, subscreveram a célebre Carta ao Governador, reclamando liberdade e eleições livres.
Estava eu muito longe de ter acesso aos livros de Marx... militava sim na JOC e no CCO. Apesar das campanhas que afirmam ser incompatível ser cristão e comunista, nunca me deixei intimidar.
Não se pode, nem deve esquecer , que durante séculos a Igreja sufocou implacavelmente a ciência e perseguiu sábios, proibindo a propagação das suas ideias de vanguarda, destruindo livros, encarcerando os seus autores e levando-os à fogueira…
A Igreja também possui « servidores» de sentimentos progressistas, pessoas que lutam pela paz e a democracia. É com esses que contamos para um novo rumo da sociedade liberta da exploração.
Será bom a leitura do texto « A mão estendida aos Católicos» documento do PCP de dezembro 1942, cito « Estendemos lealmente a mão aos católicos, assegurando-lhes que não desejamos atingir a sua liberdade de crença e prática de culto, certos de que o amor pela justiça e solidariedade humana que dizem sentir os trará à luta contra os massacradores de nações livres, contra os opressores do nosso povo…».
É muito importante o aumento de cristãos que se converteram ao marxismo, sem deixarem de ser cristãos. Os marxistas reconheceram nesta aliança que o cristianismo pode ser um potencial revolucionário, e não forçosamente um potencial reacionário.
Dírio Ramos