Para os amantes de Vela, o Mundial é de dois em dois anos. A edição da Volvo Ocean Race (VOR) 2014/2015 tem todos os predicados para ser uma das melhores edições, dado o interesse que esta competição desperta no mundo da Vela, mas não só, contribuindo e muito para que muitos outcomers passem a seguir o evento e coloquem na sua agenda, esta épica competição, de circum-navegação à vela, durante 11 meses, tocando 11 portos, entre os quais Lisboa, a 6-7 de Junho de 2015, e cujo arrasto em termos de media e retorno aos seus patrocinadores, faz desta prova o quinto maior evento desportivo à escala planetária. Só a versão do jogo VOR online, contou na sua última edição, com um milhão de jogadores, cada um tendo gasto em média 20 euros durante a prova.

São 7 as equipas, invariavelmente constituídas em consórcios internacionais, suportadas por marcas globais, cujas tripulações são meticulosamente formadas, de forma a conferir elevadas capacidades físicas e técnicas a cada uma delas, mas também a assegurar a divulgação e o fomento desta modalidade, em destinos emergentes, como é o caso do médio oriente, com a equipa Abu Dhabi Ocean Racing, e o extremo oriente com a equipa Dongfeng Race Team. A frota iniciou a primeira travessia, a partir de Alicante, com destino à Cidade do Cabo, e deveria passar bem perto do nosso arquipélago, não fosse a alteração das condições de vento, potenciando uma rota mais próxima da costa de África. Os portos de etapa, são eleitos invariavelmente, pelo potencial que apresentam em oferta turística, pela massa crítica que podem concentrar, pelas acessibilidades e pelas condições que apresentam junto da organização da VOR, e que implicam expressivas contrapartidas financeiras, mas cujo retorno, e ganho adicional é garantido, face à dinâmica na economia local, que um evento desta natureza, alavanca. Veja-se o caso de Lisboa, em que a autarquia e o Turismo de Portugal investiram cerca de 5 milhões de euros na última edição, tendo o impacto em Lisboa e no País, resultado em mais de 50 milhões de euros em apenas 8 dias de aldeia náutica, sedeada na doca de Pedrouços, tendo sido requalificada para receber eventos desta magnitude.

Por cá, realizou-se a Festa dos Campeões da Vela 2013/2014, premiando e distinguindo, os protagonistas da época, tendo a família da Vela correspondido em peso, o que é demonstrativo do interesse que esta modalidade desperta, num evento em que estiveram mais de duas centenas, entre atletas e familiares, dirigentes, patrocinadores e entidades oficiais, tendo-se saldado num momento ímpar de convivência entre os implicados nesta modalidade.

A Vela e o Mar têm gradativamente ganho mais visibilidade, havendo cada vez mais interesse de miúdos e graúdos, pelo que se as infra estruturas de apoio, forem adequadas e mantidas em conformidade, se os clubes regionais concentrarem os seus recursos nas modalidades do seu DNA náutico, e se a Associação puder receber a tempo e horas os apoios públicos, será possível almejar outro patamar de prática e competição para esta modalidade, contribuindo para o crescimento das licenças desportivas principalmente na Vela Ligeira, e no aumento de participantes e eventos regionais e internacionais, na Vela de Cruzeiro. Para isso, uma boa notícia para os potenciais interessados: a Federação Portuguesa de Vela, acedeu a rever os custos com licenças desportivas, passando a ser grátis o primeiro ano como atleta federado, e nos seguintes o custo foi reduzido, em algumas das classes, mais de 80%. Um dia, ainda veremos as velas dos carbon made Volvo Ocean 65, com mastros de 30 metros, cruzar os nossos mares, será com certeza, como diz um bom amigo, um dia i(!)memorável para a RAM.

Sérgio Jesus