É costume dizer-se que “santos da casa não fazem milagres”. Tal provérbio popular português, não por acaso, faz todo o sentido neste país, e região, onde alguém com valor tem de morrer, ou emigrar, para poder ser mais respeitado, conhecido e celebrado. Felizmente, já no próximo dia 29 deste mês, um grande vulto do pensamento e da literatura, nascido nesta terra, terá as suas extraordinárias vida e obra devidamente, e merecidamente, divulgadas e celebradas. Falo-vos do poeta e filósofo madeirense Octávio de Marialva (1898-1992), que tive o privilégio de conhecer pessoalmente. No assinalar da efeméride dos seus 35 anos de existência, a Biblioteca Pública Regional da Madeira (BPRM) elegeu Marialva como a figura tutelar de tão significativo aniversário. Assim, no próximo dia 29/10 será inaugurada, no átrio da dita instituição, uma exposição compreensiva sobre a vida e a obra do autor, com fotografias, livros, objectos, e painéis informativos, que, após um mês nos Álamos, transitará por várias escolas secundárias da região, dando a conhecer o nosso poeta-filósofo. Depois, no mesmo dia, acontecerá, no auditório da BPRM, uma homenagem pública e tertúlia transversal sobre Marialva, com música clássica, declamação de poemas, performances, e um colóquio com estudiosos e pessoas que o conheceram. Marialva foi uma personalidade multidimensional, poeta (correspondeu-se com Pessoa, John dos Passos, etc.), filósofo (precursor em Portugal do estudo e divulgação da filosofia naturista), cultor exímio do género da ficção-científica e do fantástico (percursor, neste país, também desse género literário). A sua obra merece ser muito mais estudada e divulgada, penso iniciar, em breve, um grupo de estudos marialvinos para esse efeito. Venham conhecer o universo alquímico e multifacetado deste ilustre conterrâneo nosso.

Miguel Santos