É hora de abrir regos. E serão cinco por semana.

1. Esta semana importa peguilhar com a monitorização. Depois das pontes, marinas e vias rápidas, do surto de obras inacabadas e das inaugurações ridículas, das facturas escondidas e da chantagem oficial eis que surge esta nova febre. As ribeiras, o lobo marinho, o lixo, os fundos europeus, os fungos, os pinheiros doentes, a sépsis passa tudo pelo monitor. Boa. Já agora monitorize-se a pobreza, a fome, os sem abrigo, o desperdício, a corrupção, as ilegalidades, as viagens fúteis e o próprio governo. ‘Big Brother' já, mas para aquilo que nos pode livrar da desgraça. Se calhar não era má ideia concentrar toda a atenção no ébola e nas epidemias importadas da América Latina, nas chuvas, ventos e marés, nas cobras venenosas, escaravelhos e afins, em tudo o que entra na ilha sem pedir licença por falta de monitor, de radar ou de bom senso.

2. A “coisa psicadélica” gerou grande zoada. Miguel Mendonça é o ‘pai da criança’ ao etiquetar com tamanho enigma a agenda definida por Jaime Ramos. Ora, psicadélica é “substância que causa alucinações”, algo que “lembra, traduz ou estimula os efeitos próprios do psicadelismo” ou é “estado psíquico de quem está sob a acção de um alucinógeno, e faz com que o indivíduo tenha uma percepção de aspectos da mente que desconhecia anteriormente, e altera a consciência, trazendo sensações semelhantes ao sonho, psicose e êxtase religioso”. Vá lá que a sucedânea da “salsicha educativa” nem foi exclusivo da ilha. Também na semana passada, o insuspeito sociólogo António Barreto garantiu que “o escândalo da Justiça é uma coisa que já não é do domínio do autismo político, é do domínio do psicadélico”!

3. Por atremar fica também contexto que levou a ANA a garantir que não haverá despedimento colectivo nos aeroportos da Madeira. A ANA não é uma miúda qualquer. É gestora. Mal tomou posse, exterminou o site da ANAM, tirou tarefas a muitos funcionários do aeroporto insular e avisou as estruturas regionais para os procedimentos que decorrem da perda de autonomia. As informações, tal como as estatísticas oficiais, estão centralizadas em Lisboa. É de lá que são emitidos os ‘press release’. Quem assim age é eloquente.

4. Mesmo que viajado, o ainda presidente do PSD-M continua renheta, mal agradecido e perturbado. Compreende-se. Os delfins não lhe ligam nenhuma. As bases suspiram por 19 de Dezembro. E os dirigentes procuram agenda alternativa para evitar a fastidiosa ‘reunião’ da comissão política marcada para hoje. Mesmo assim, para memória futura convém guardar o que Jardim tendo vindo a escrever na qualidade de ‘Alberto João’ e que ainda ontem produziu a confidência: “Nesse momento de votar, eu confio em que a imensa maioria dos Militantes do PSD/Madeira, não só vão ter o cuidado prévio de estar legalmente capazes de votar, como SOBRETUDO vão votar apenas de acordo com a sua CONSCIÊNCIA”. Não foi sempre assim ou será que em Novembro de 2012 houve golpada?

5. Ventura Garcês foi apilhado sem dó nem piedade, com revelações parlamentares que por si só garantem a reabertura do 'Cuba Livre'. Só falta saber se, mesmo antes de 2010, consultou a base de dados secreta que alegou desconhecer. Se Santos Costa abre o livro…

* Poio, “monumento este único no mundo, porque jamais em parte alguma, com tão grande amplitude, tanto esforço humano foi empregado na conquista da terra.” ( ‘Madeira. A Epopeia Rural’, de Joaquim Vieira Natividade, 1953)