Não é pena, é preocupação. Olhar para o espectro político regional e pensar que há eleições regionais para o ano dá um arrepio na espinha.
E não, não falo no combate de lama dos cinco. Esse seria um mal menor –a crónica de uma má sucessão anunciada – se se olhasse à volta e se visse mais que mar no horizonte. Mas não, o que se vê é uma oposição que parece não se ter preparado para dizer que está aqui, pronta. Tempo não lhe faltou.
Ou melhor, ela esbraceja que está aqui, mas ninguém lhe dá troco, enquanto assiste à chafurdice dos cinco, que é uma espécie de Casa dos Segredos, a ver quem partilha mais podres. Só não estão todos fechados num mesmo espaço.
O principal partido da oposição põe-se em bicos de pés. O líder estica-se todo para ver se não há sinais de ondas grandes resultado do tsunami que varreu no continente o seu querido secretário-geral do partido. Que Lisboa não tem nada a ver com isto e que se conquistou muitas Câmaras ao PSD; lugar para ti, lugar para mim. Quando a pergunta que deveria estar a responder a si próprio e sobretudo ao eleitorado madeirense é se tem condições para disputar as eleições regionais com qualquer dos delfins que ganhe. Se tem ideias para a Madeira? Quais? Se tem um plano. Se tem, não o mostrou; se não tem, que dê lugar a quem tenha (esperemos que haja alguém para além dos oportunistas da espuma dos dias), que vá a jogo, não se esconda na máquina partidária, nem nos estatutos. Que se reforce, se tem confiança, e que dê esse sinal para fora. Há eleições para o ano!
O que clamava ser o segundo maior, mas que voltou a terceiro, acusa dores de crescimento que não passam. O que num partido velho chega a ser patético. Ora aqui, ora além, conforme dá jeito, alianças sim, não, talvez. Pisca aqui, pisca além, com este delfim, agora com a oposição, sozinho, mas pouco. O povo olha e desconfia com razão perante tanta volta no baile.
Depois há os do costume, os do trabalho social que não se reflecte nas eleições e que em termos de governação até ver pouco têm a dizer. Os clandestinos, os da palhaçada, os do teatro, os inconsequentes, os populistas e oportunistas. O povo assiste à luta fratricida da sucessão como se não houvesse mais nada e esse seja o seu destino. Se calhar não há. É este o panorama político regional. Cheira a irresponsabilidade por todos os lados. Há eleições para o ano. Coitados dos eleitores.
Sandra Cardoso