Toda e qualquer análise à prestação das equipas nestas primeiras seis jornadas da Liga portuguesa, pode pecar por prematura. E, como já alguém tem vindo a dizer, as coisas não são como começam, mas sim como acabam. De qualquer forma, o Marítimo, de alguma maneira também, nas análises feitas ainda na pré-temporada, foi sobrevalorizado, sobretudo porque as contratações foram demorando a concretizar-se. Para além das dúvidas que subsistiam relativamente a Leonel Pontes, na sua estreia como treinador principal, e nas saídas que entretanto o plantel havia sentido. Um facto, contudo, é que Leonel Pontes vem construindo uma equipa alicerçada numa base que foi deixada da época anterior, desde a defesa ao meio campo, se bem que Fransérgio verdadeiramente só apareça agora. As contratações, em termos de meio campo e ataque, por outro lado, deram a Leonel Pontes um leque de opções que supera as que Pedro Martins tinha ao seu dispor. Repare-se que, do ‘onze’ inicial apresentado ante o Vitória de Guimarães, no banco estavam Fernando Ferreira e Bruno Gallo (utilizados) para o meio campo, e Vidales e Ebinho, para o ataque. E nem convocados foram Dyego Sousa (lesionado) e Micolta. Mas o que apraz registar tem sido o espírito colectivo que Leonel Pontes tem apostado no trabalho e espelhado nos jogos, sendo que a tendência será crescer ao longo da temporada. E se Mohamed Ibrahim explodir e justificar as credenciais que com ele transporta, poderá fazer crescer ainda mais este Marítimo. Mas, o Ibrahim que vimos ante o Vitória, foi um jogador surpreendentemente amarrado à estratégia da equipa, até na ajuda ao processo defensivo, mas muito preso no lado esquerdo. Se for encontrada uma posição que permita libertar o seu talento, poder-se-á ter um caso sério. Mas, claro, Mohamed Ibrahim vai precisar de tempo e de jogos. Já o Nacional vem desiludindo, é uma realidade. Mas será estultícia pensar-se que a equipa é apenas isto que tem mostrado neste início de temporada. A entrada desastrada na Liga, com a derrota caseira na estreia frente ao Moreirense, e depois o afastamento da fase de grupos da Liga Europa, deixaram mossas. Um filme já visto noutra sala perto de si. A saída de Mexer, de facto, mexeu com todo o esquema defensivo, as contratações não foram ainda o que se esperava e jogadores nucleares de outras épocas andam longe do que verdadeiramente podem valer. Acredita-se que a experiência e astúcia de Manuel Machado serão suficientes para dar a volta ao texto. Mas convém ser quanto antes. Mas, se o sucesso é efémero, há que vivê-lo com intensidade, e, como disse Henry Ford, o fracasso é a oportunidade de começar de novo com mais inteligência. Hoje e amanhã. PS: Contra ventos e marés, superando intempéries que ciclicamente sopram dos cumes mais altos da inteligência governativa, as obras do Estádio do Marítimo prosseguem em bom ritmo. Mas há ainda muita boa gente que só acredita que a obra terá um final feliz quando a ver, de facto, concluída. Mas, como António Gedeão escreveu, quando o homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida.
Emanuel Rosa Repórter