A educação necessita de um outro rumo. Entre outras alterações, urge a implementação de um conjunto de medidas políticas simples, mas estruturantes, assentes numa visão estratégica que promova uma escola para todos. Nesta perspetiva, considero fundamental:

1 - Conceder uma verdadeira autonomia às escolas. Todavia, essa autonomia só fará sentido se as escolas possuírem as condições legais, administrativas, pedagógicas e financeiras para usufruírem dessa legítima liberdade;

2 – Diminuir a carga horária dos alunos. Os horários demasiado pesados prejudicam os resultados escolares. Os currículos necessitam também de uma reforma que garanta uma redução equilibrada dos programas extensos e desnecessários, sem prejudicar os níveis de exigência;

3 - Turmas com menos alunos. A escola teria mais e melhores condições para apostar num ensino de qualidade, investindo em práticas pedagógicas na sala de aula adaptadas à realidade. Seria possível delinear outras estratégias de organização das turmas e de apoios mais eficientes tanto para os bons alunos, como para os outros com grandes dificuldades de aprendizagem e para todos os que se encontram sinalizados com necessidades educativas especiais;

4 - Apesar de reconhecer a importância dos conhecimentos teóricos para a construção dos saberes e da necessidade dos exames, o ensino não pode estar assente apenas na construção deste conhecimento nem na sobrevalorização dos exames. A avaliação é mais abrangente. O desenvolvimento integral dos alunos impõe um maior equilíbrio entre o ensino dos conhecimentos teóricos e as disciplinas de âmbito mais prático, por isso, as escolas necessitam de orçamento para terem a possibilidade de investir, por exemplo, nas componentes laboratoriais, visitas de estudo e novas práticas educativas diferenciadas.

5 - Exige-se a recuperação das disciplinas e dos currículos que ajudam a adquirir competências pessoais e sociais, artísticas e criativas, assimilando um espírito atento e crítico, preparando os alunos para se adaptarem a novas situações, despertos para o saber ser, estar e fazer. Considero indispensável tornar a valorizar a educação cívica, os currículos das expressões e das artes, reestruturando o ensino das TIC e EVT.

Como afirma Ana Benavente, “Em educação, os resultados são lentos e a visibilidade dos seus efeitos não é imediata. Impõe-se, pois, concertação, participação e continuidade”.

Rui Caetano