Da concepção o crescimento. Do crescimento a tumefacção. Da tumefacção o pensamento. Do pensamento a recordação. Da recordação o desejo. A palavra frutificou; Habitava com a cintilação frágil; Daí surgiu a noite: A noite grande, a noite longa, A noite menor, a noite maior, A noite espessa para sentir, A noite para ser tocada, a noite para não ser vista. A noite que prosseguia, a noite acabando na morte. Do nada a criação; Do nada o crescimento; Do nada a abundância: Do poder do crescimento, o sopro vivo Que habitava no espaço vazio. Produziu o firmamento, que está por cima. O ar que flutua sobre a terra. O grande firmamento por cima, o espaço que habitava com a manhã. Depois a lua irrompeu. O ar habitava o céu brilhante. Depois o sol irrompeu. Lançados para o alto como os olhos principais do céu. Depois o sol tornou-se luz. A manhã, o início do dia. O meio-dia. O esplendor do dia no céu. A noite. O silêncio puro. A noite. O silêncio último. A noite. Estrelas na mão.
Renata Camacho