Todos os anos, a 15 de Outubro, somos brindados com o Orçamento de Estado que define o trilho traçado e as principais medidas que irá por em prática no ano seguinte. Não é mais que o definir da quantidade de suor que irá sugar (e a forma como o irá fazer) a cada um de nós para tentar atingir um equilíbrio (que teima em fugir) entre o que recebe e o que gasta connosco.

Passando aos números e para termos uma ideia, o Estado prevê arrecadar 70 mil milhões de euros de receita nos mais variados impostos (cerca de metade da riqueza gerada por todos nós na economia do país durante um ano) para ser depois capaz de nos garantir os serviços públicos (por exemplo, saúde, educação e segurança).

No entanto, consegue ainda despender um valor superior ao que nos tira. Destas contas resulta o famoso défice que se acredita vir a ser de 2,7% do PIB.

Se a qualidade dos serviços então prestados vem sendo cada vez mais precária eu pergunto-me: quando mesmo é que vão parar de subir as “contribuições obrigatórias” se por exemplo continuam a estourar verbas em investimentos estapafúrdios como marinas, estudos sobre deve e haver, submarinos ou buracos de bancos?

E se a pergunta foi por mim feita, cabe-me também procurar a resposta… Nunca!! Pois os superiores interesses e a boa vida dos mandões não podem ser beliscados.

Só resta carregar-se no lombo de quem sustenta (trabalhando) este país.

O IRS não sobe mas prevêem-se ainda assim mais receitas; o IRC diminui de 23 para 21%; o desemprego regista um decréscimo (estão previstas mortes e emigrações); mantém-se a contribuição extraordinária de solidariedade de 15% das pensões acima de 4611,42€ e de 40% das acima de 7126,74€ (acho bem, mas ainda há alguém a auferir esses valores?).

Até aqui não está nada mal (embora pudesse estar bem melhor), mas vêm já aí subidas de taxas caricatas.

Sobe a contribuição sobre combustíveis… E isto não afeta apenas os passeios de domingo à tarde. Os bilhetes de autocarro, de barco e de avião vão fazer refletir essa medida. Até os sacos de plástico dos supermercados devem ficar mais caros (por mais picuinhas que pareça, serve para percebermos o alcance desta simples imposição).

Já no aumento dos impostos sobre o álcool eu não me oponho, mas alerto os governantes que no lugar deles preferiria um povo alcoolicamente alegre do que sóbrio e consciente. Quanto ao tabaco de mascar e aos cigarros eletrónicos, preocupem-se os fumadores em fuga do tradicional “prego no caixão” que em breve vem um imposto sobre o cachimbo da paz. Vai tudo acabar a chuchar no dedo (suspeito que governantes incluídos).

E para não dizerem que só critico e não procuro soluções, sugiro o fim dos subsídios de férias e de natal. Quando chego ás férias, se não trabalhar não recebo! E na época festiva ninguém me paga as consultas a dobrar! Obviamente ganhei inimigos, mas a esses aceno com prémios por desempenho…

Esforcem-se! Dêem o exemplo… Não permitamos mais que, parafraseando Camões, «fracos reis façam fracas as fortes gentes»!

“Vemo-nos” em Novembro e até lá oiçam «Aquilo que eu não fiz» de Tiago Bettencourt.

Pedro Nunes