No próximo dia 21 de outubro completamos um ano à frente dos destinos da cidade do Funchal. O tempo na Câmara Municipal é outro tempo. É mais rápido. A intensidade dos desafios acelera as horas. De felicidade, confesso, por ter a oportunidade de acima de tudo contribuir para melhorar a vida das pessoas. Disse há um ano atrás que entrávamos no primeiro dia de um novo tempo, de uma nova estação na história da cidade do Funchal. O início da primavera da cidadania.
Essa é a verdadeira Mudança. As pessoas queriam, desejavam e reclamavam por mais cidadania. Têm-na. Não tenhamos memória curta. Eu sou do tempo em que havia arrogância política, em que os políticos eram distantes dos munícipes e dos funcionários camarários, em que havia medo de represálias por se exercer a crítica, em que a oposição não tinha voz, em que o Presidente do Governo Regional comparecia no Dia da Cidade, em que não se comemorava Abril, em que os cidadãos não tinham meios discutir a sua cidade, de propor e decidir sobre projetos para o Funchal como agora acontece com o orçamento participativo.
Eu sou do tempo da irresponsabilidade financeira. Da contração de dívida sem obra. Do esbanjamento e da manipulação financeira para dar a ilusão de lucro. De adjudicações sem concursos públicos, da defesa de outros interesses em detrimento dos interesses do município, de apoios dados indiscriminadamente e sem regulamento.
Eu sou do tempo em que se organizava o Funchal Jazz e a Feira do Livro pelo triplo do valor e em que não se pagavam aos fornecedores, nem se cumpriam prazos de pagamento.
Eu sou do tempo em que ninguém se importava com a ETAR do Funchal e não se programava um projeto de requalificação e em que o Lido estava esquecido.
Eu sou do tempo em que os parcómetros eram geridos por privados e o fim de concessões dos parques de estacionamento se transformavam em autênticas trapalhadas que prejudicavam trabalhadores.
Eu sou do tempo em que não havia redução de IMI, em que não existia comparticipação de medicamentos ou subsidio ao arrendamento.
Eu sou do tempo em que não havia um plano de revitalização do comércio, nem redução de cinquenta por cento nas taxas de publicidades e nas licenças de ocupação do espaço público.
Eu sou desse tempo. Agora passamos a outro tempo, com outro paradigma para a cidade. Um tempo de forte investimento e apoio social, um tempo de impulso ao desenvolvimento económico e à criação de oportunidades, um tempo de fomento da democracia participativa e da boa gestão pública.
Entramos num tempo de ter visão, estratégia e planeamento. Estão em curso cinco projetos que irão definitivamente mudar o paradigma de desenvolvimento urbano do Concelho e deixarão a nossa cidade melhor do que a encontramos, uma cidade melhor para os nossos cidadãos e visitantes, uma cidade melhor organizada e estruturada para os anos vindouros.
A revisão do Plano Diretor Municipal, o Programa de Revitalização do Comércio, o Plano de Mobilidade e Transportes, o Programa de Regeneração Urbana, e o programa Funchal Digital/Loja do Munícipe. Cinco projetos que respondem a desafios fulcrais de uma cidade do século XXI: o ordenamento urbanístico e do território, a dinamização da atividade económica, o planeamento dos fluxos de circulação urbana, a reabilitação do património e revitalização da cidade, e a preparação da administração autárquica para responder com mais eficácia e rapidez aos cidadãos e às suas necessidades. É por este tempo que vamos.
Paulo Cafôfo