Seja em que parte do mundo veleje, da Madeira à Nova Zelândia, há dois elementos sempre presentes: água e plástico! Quanto ao primeiro, pouco tem variado ao longo dos tempos. Ora está mais frio, ora mais quente e a sua cor e forma varia com os humores do tempo. Já em relação ao segundo, infelizmente, cada vez mais sente-se a sua presença no mar. Mas recentemente, dei-me conta de um fenómeno distinto. Que maliciosamente se vai insinuando por todos os mares, oceanos e lagos deste mundo. Foi neste verão, no Porto Santo, que me dei conta desse fenómeno. Desde que me lembre, os sacos de plástico sempre foram uma praga dos oceanos. Para quem veleja e tem o prazer e o privilégio de o fazer em mares limpos, um saco de plástico a flutuar é uma mancha na paisagem, um borrão num quadro perfeito. Eles continuam a aparecer, cada vez em maior quantidade. Mas agora vêm acompanhados. Segundo me apercebi, o plástico leva muito, mas mesmo muito tempo a degradar-se. Na verdade, aparentemente, este material não é biodegradável, mas sim, fotodegradável. Ou seja, o sol, ou mais especificamente, a radiação ultravioleta “quebra-o”, o que sugere que os sacos plásticos que tantas vezes encontro no mar, reduzir-se-ão no futuro a um granulado microscópico. Mas até que chegue a esse ponto, o que cada vez mais vamos encontrando, é esta sopa de plástico, composta por milhões de partículas de plástico, das mais diversas cores e tamanhos, que lentamente vai asfixiando os oceanos. Tal como a corrente de fragmentos em suspensão que encontrei na costa norte da ilha dourada. Poder-se-ia pensar: “Pelo menos um dia desaparecerão.” Mas não é bem assim. Muitos animais marinhos, confundem o plástico com alimento. O que significa que este material, altamente tóxico, já entrou na cadeia alimentar de inúmeras espécies. E quem é que está no topo da cadeia alimentar? Isso mesmo, nós! Da próxima vez que for ao supermercado, pense bem: precisa mesmo de tantos sacos plásticos? Quando der uma festa, pode dar mais trabalho não usar pratos, talheres e copos descartáveis, mas não se esqueça que um dia, tudo o que deitar fora, vai regressar, afectando a vida dos seus filhos, netos e bisnetos. A lista de pequenas coisas que podemos fazer para reduzir a quantidade de plástico que diariamente usamos e deitamos fora, é interminável. Mas não fazê-lo, é hipotecar o nosso futuro...
João Rodrigues Velejador Olímpico