A transição do Ensino Secundário para o Ensino Superior obriga a uma modificação profunda na vida do estudante, que nos primeiros dias pode passar despercebida. É fundamental que a partir da segunda semana de aulas o aluno se dedique aos estudos. Os primeiros dias muitas vezes são vividos numa mistura de êxtase, timidez e expetativa. O estudante que chega costuma ser recetivo a quem já se encontra no sistema e é por isso muito importante que, por um lado, se relacione com colegas bem integrados que lhe transmitam adequadas orientações, que o recebam com boa disposição, espírito de união e respeito. Por outro lado, através do contacto direto com os docentes das disciplinas do 1º ano, pode obter orientação para os seus estudos. Para o esclarecimento de dúvidas o estudante pode, e deve, recorrer aos docentes, pois estes marcam, no início de cada semestre, horário de atendimento semanal para este fim. Colocar dúvidas aos professores, após um estudo dedicado, ao contrário de causar má impressão, é indicador de interesse e vontade de aprender, sendo um procedimento que deve ser incentivado. Apesar do ensino superior ser exigente, é aliciante pois já se encontra próximo das áreas de interesse do estudante. Importa, no entanto, ter presente que os planos de estudos são criados visando uma formação estruturada, abrangente mas consistente, pretendendo-se que o estudante, depois de licenciado possua conhecimentos sólidos, detenha ferramentas de independência de raciocínio e seja um indivíduo com iniciativa. Não é de estranhar por isso que, muitos estudantes recém-chegados ao ensino superior tenham dificuldade em encontrar sentido na aprendizagem de algumas disciplinas de formação de base, pelo que para o estudo das mesmas por vezes torna-se necessário colocar em prática a sua capacidade de esforço. Para um estudante que ingressa numa universidade e que é obrigado a sair do meio familiar as mudanças são acrescidas, pois passa a ter que depender apenas de si próprio, passa a organizar, a limpar o espaço onde habita, a tratar da higiene das suas roupas, a ter que gerir uma mesada, a ter que se preocupar com a alimentação e com os transportes, para além das modificações exigidas por um sistema de ensino que lhe vai pedir mais empenhamento, mais disciplina, mais autonomia e iniciativa. O período em que o aluno adquire a sua formação superior caracteriza-se por ser uma fase rica, não só devido à grande capacidade para aprender, mas também por exigir um amadurecimento global, enquanto jovem adulto que é confrontado com a necessidade de tomar decisões determinantes para o resto da sua vida. Torna-se estratégico delinear objetivos a longo, médio e curto prazo, planificar o tempo, estabelecer prioridades, cumprir horários, evitar situações causadoras de distrações, dormir o necessário, alimentar-se adequadamente, agendar um pouco do tempo para a autorreflexão bem como para atividades de lazer e convívio. Para isso, toda a vivência académica pode ser determinante. Abraçar a profissão de estudante universitário é desempenhar uma profissão exigente, envolvente e que deixa saudades quando se passa à fase seguinte, qualquer que seja a natureza desta. Importa salientar que acreditar nas suas capacidades, cultivar a curiosidade, desenvolver o espírito crítico, ter capacidade de sacrifício (pois estudar por vezes não é tarefa fácil), tentar estar concentrado nas aulas para conseguir o máximo de referências e rentabilidade, procurar esclarecer as dúvidas, ser perseverante e fazer uma boa gestão do tempo são bons princípios e/ou estratégias para se ganhar uma boa formação integral. Nesta fase da vida do estudante as instituições de ensino superior contribuem para o desenvolvimento de capacidades de análise e de destreza mental, para a aquisição de hábitos de reflexão e resolução de situações problemáticas onde se usa o raciocínio dedutivo e se desenvolve a criatividade. Importa pois que o estudante se envolva de forma ativa no processo de aprendizagem, escutando mas refletindo e questionando, pesquisando, sugerindo, quer quando inserido em grupos de trabalho, quer quando se encontra a desenvolver trabalhos de natureza individual. Na Universidade da Madeira (UMa), no início do ano letivo, o Colégio Universitário que é o órgão responsável pela gestão dos ciclos de estudos de licenciatura, organiza uma sessão de boas vindas aos novos estudantes, durante a qual são fornecidas valiosas informações e orientações pelo Reitor, pelo Presidente do Colégio Universitário e por diversos Responsáveis de Serviços e onde é estabelecido o primeiro contacto com o Diretor de Curso. Na UMa a Associação de Estudantes (AAUMA) colabora com valiosas contribuições para a integração dos novos colegas sendo de destacar o “Guia do estudante da AAUMA”, nos formatos digital ou impresso, o apoio nas matrículas e a organização de convívios. A praxe, sendo voluntária, mesmo quando aceite, não obriga à obediência pois um estudante pode recusar participar em atividades nas quais se sinta incomodado, não podendo ser prejudicado pelos colegas que se encontram na instituição há mais tempo. Também o programa de “tutoria por pares”, igualmente voluntário, da responsabilidade do Serviço de Consulta Psicológica, propicia uma integração orientada por um tutor, que é um estudante formado para o efeito, pelo referido Serviço. Todos os cursos conferentes de grau oferecidos pela UMa, e em particular os de licenciatura, estão acreditados pela Agência de Acreditação e Avaliação do Ensino Superior (A3ES). A A3ES é a entidade nacional à qual todas as instituições de ensino superior em Portugal têm que submeter os seus cursos para acreditação e avaliação * Pró-reitora da UMa
Custódia Drumond *