Os partidos políticos possuem responsabilidades muito claras no combate ao alheamento dos cidadãos pela vida pública, designadamente, no combate à indiferença que muitos cidadãos têm pelo futuro político da região. Tal deve-se, em boa medida, ao facto de não ter havido o necessário esforço para a credibilização da política. Esse esforço não dispensa algo de muito simples: ouvir as pessoas e falar-lhes com verdade. Vender ilusões não é, seguramente, a melhor forma de fortalecer o imprescindível clima de confiança que deve existir entre os cidadãos e o exercício de funções públicas. Na sua vida quotidiana os madeirenses interrogam-se sobre o que lhes reservará o futuro. Existirão sinais para sermos otimistas? Ou, pelo contrário, os indícios apontam para um futuro sombrio? Em vez de nos interrogarmos tanto sobre o que o futuro nos trará, seria melhor que nos concentrássemos sobre o que poderemos trazer ao presente. Num mundo de competição e velocidade crescentes, devemos procurar incutir a capacidade de antecipação, pela percepção, permitindo a introdução de novas soluções, assentes em ciclos de vida cada vez mais curtos e com necessidade de reinvenção permanente. A diferença entre a percepção antecipada da mudança e a surpresa perante ela diferencia o sucesso do declínio social. A criatividade, a transdisciplinaridade, a “visão global”, a capacidade prospectiva de gerir a mudança e de combater as ideias feitas são imperativos de competitividade social num mundo global. Tempo e espaço para reflectir, inovar, pensar sobre o futuro e agir sobre o mesmo não são luxos dos quais uma sociedade ou uma organização política possa abdicar. Por isso, a criação de espaços, dedicados à procura de soluções, participativos e inclusivos de novas perspectivas, permitem abdicar do dia-a-dia funcional e mergulhar em processos e ambientes focalizados na geração de ideias e no combate de preconceitos. São estes espaços de encontro com a diferença, mas também com a incerteza, que produzem sinergias entre a inovação e o mundo real. Por tudo isto é necessário ouvir. É necessário diagnosticar e debater, tendo sempre presente que o papel do poder político na construção do futuro colectivo é parte importante no funcionamento do sistema democrático de qualquer sociedade. É necessário substituir a política da “bola à trave”: faz muito estrondo, levanta as bancadas, mas não mexe no resultado.
Jorge Carvalho