Despertei para o tema ao ler, há cerca de 40 anos, um livro de Leon Teodurescu sobre a teoria e metodologia dos Jogos Desportivos Colectivos. Neste, o autor aborda “o como organizar e gerir eficazmente as equipas”, o que o leva, imagine, a ter um capítulo dedicado à questão da “estrela” (ou prima-dona) que aparece em todas as organizações. Mais tarde, ao ler Galbraith, a questão ganha outra dimensão ao embrenhar-me no seu “Anatomia do Poder”, livro que permite, dissecando estruturas institucionais diversas, perceber “quem, como e de que modo” pode (e deve) enquadrar organizações. Num 3º momento, é a leitura de um documento fabuloso da Fundação Drucker dedicado às diferentes dimensões do tema , escrito por cientistas de várias áreas, que me permite ganhar uma perspectiva muito mais abrangente sobre o fenómeno, de cariz histórico e sociológico. Finalmente, e “making the long story short”, tive a felicidade, quer no INSEAD como na AESE, em termos de perspectiva conceptual, de lidar com programas que me permitiram consolidar conhecimentos e perceber como antecipar e desenvolver os processos inerentes. É neste contexto, portanto, que percebendo existirem líderes de todo o género e feitio, sei também que nem todos são adequados ao mundo em que vivemos, caracterizado como de uma sociedade de (cada vez mais) informação e conhecimento, em que os cidadãos (todos !) não só têm o direito e o dever de participar …como também devem ser incentivados a fazê-lo. Ora, neste quadro, a liderança não é mais possível de ser concretizada por quem desvaloriza a opinião dos outros, pois seria a contradição elevada a paradigma. Menos ainda por quem denigre (ou mesmo insulta) quem o contraria. Jamais por quem inventa (leia-se, mente !) sobre terceiros, em especial os que não “lhe abanam a cabeça” ou lhe dizem “não”. E definitivamente também não por quem se arvora, sempre, o direito à 1ª e última palavra sobre todos (literalmente todos) os assuntos, acreditando que esse é o traço principal do “mando”. Note-se que o outro traço mais identificado nestas personalidades é a voz — tonitruante ou “de falsete”. Mas a verdade é que também não é crível o comportamento exactamente oposto, pois, como diz o povo, “nem 8 nem 80”. Ou seja, também não é adequada a este tempo a liderança “tipo cata-vento”, de quem, querendo demonstrar estar a bem com todos, acaba por dizer “uma coisa e o seu contrário”. E que, não satisfeito, as proclama aos sete ventos, por forma a que todos oiçam que, sobre tudo (e a todos), tem algo a dizer, mesmo que contradizendo-se. Afim desta (ou complementar daquela), segundo outros, observa-se ainda a liderança “mágica” (ou Mandrakiana, em homenagem à figura da banda desenhada), que encerra a capacidade de alguém tirar, a toda a hora, “coelhos da cartola” que julga serem capazes de motivar as hostes, tipo de liderança esta que tem acopladas a inconsistência e a falta de foco, precisamente por só actuar em função dos assuntos mais em moda, a cada momento. Doutro género, com algumas afinidades com a anterior, há ainda o líder “friendly”, “afável e quase cúmplice”, que tem, no sorriso e na proximidade, o seu trunfo, mas que, por essa mesma circunstância (ou seja, por não gostar de desagradar) se torna, a maior parte das vezes, inoperante e ineficaz. Todas elas, porém, desajustadas relativamente aos dias de hoje. Dito isto, o tempo aconselha e defende que a Liderança adequada ao mundo actual e ao futuro, seja a colegial; a participativa; a “em rede”; a que acredita, afinal, que competências diversas e Pessoas com personalidades distintas são o valor acrescentado, efectivo, de todas as Equipas e de todos os Projectos. Uma Liderança, enfim, que não fala, como as do passado, a uma só voz, mas que não deixa, por isso, de ser mais assertiva e mais motivadora do que as outras, em especial porque ancorada na atitude criativa e empreendedora de Cada Um e no trabalho conjunto e colectivo de Todos.
Francisco Santos Militante do PSD-M