O presidente do Conselho de Administração da ANA, empresa que gere os aeroportos nacionais, afirmou hoje que as taxas aeroportuárias praticadas em Lisboa são competitivas e estão 22,2% abaixo da média comparativa com outros aeroportos europeus.
Numa audição na Assembleia da República, Jorge Ponce de Leão refutou as críticas socialistas, nomeadamente do deputado Paulo Campos, que sublinhou que a empresa, comprada pelo grupo francês Vinci no ano passado, subiu as tarifas cinco vezes, "num ano e três meses".
O gestor salientou que está de acordo com o atual modelo de regulação (baseado no limite de receita para a empresa, ou 'cap') e a forma como está a ser gerido, considerando que esta é "a solução que melhor serve os interesses do país".
Ponce de Leão declarou que as "companhias aéreas têm de ser mais eficientes" e notou que houve taxas que subiram, "mas outras também desceram".
"Precisávamos de subir em Lisboa e baixar, pelo menos, nos Açores, Madeira e vamos baixar para o ano em Faro. Só não se baixa mais porque o tráfego tem respondido de forma muito positiva", justificou.
No aeroporto de Lisboa, segundo um documento que mostrou aos deputados, as taxas praticadas ficam 22,2% abaixo da média em teste comparativo com outros 14 aeroportos europeus.
Questionado pela deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, que fez eco das preocupações das entidades de turismo e companhias aéreas com as subidas sucessivas das taxas e quis saber se estas vão aumentar 22% em dez anos, respondeu que se trata apenas de "uma simulação".
O presidente da ANA assinalou ainda que "o Estado irá beneficiar das receitas em cerca de 5% ao longo da concessão".
O presidente da ANA foi ouvido a pedido do PS, que alertou para a "necessidade de cabais esclarecimentos" sobre o aumento das "taxas aeroportuárias desde o anúncio" da privatização da ANA.
Em agosto, a ANA anunciou que iria aumentar as taxas reguladas cobradas às companhias aéreas em 7,56% no aeroporto de Lisboa e em 1,50% no aeroporto do Porto, a partir de 01 de dezembro, resultado de um aumento do tráfego acima do previsto.
De acordo com fonte oficial da ANA, este aumento representa um acréscimo médio de 40 cêntimos por passageiro para um valor ainda assim "15% abaixo dos preços médios praticados pelos aeroportos europeus".
