Penso que em termos gramaticais a expressão não está correcta, mas é uma das muitas expressões populares que ainda se ouve. Algumas vezes é utilizada com a melhor das intenções, no sentido de pedir alguma colaboração para atingir um objectivo mais nobre, mas nem sempre é assim.
Lembro-me de, por exemplo, nos tempos da escola primária, quando havia as brigas próprias dessas idades entre grupos “rivais” - pelas razões mais absurdas, como um simples olhar, ou chamar um nome ou alcunha qualquer aos outros, enfim qualquer motivo que não se podia resolver dentro do recinto da escola -, alguém sair em defesa do visado e dizer coisas do género: “quando se sair da escola vais mais eu que a gente vai-lhe aquecer o lombo”.
O tempo passa e a escola já era. No Domingo passado encontrei o compadre Manuel de podão (tesoura de poda) na mão que depois do cumprimento habitual se virou para o meu grupo e disse “vamos mais eu ajudar o João a espoldrar a vinha, para ver se gente acaba mais rápido”.
Claro que ninguém se manifestou interessado na proposta, ao que ele acrescentou: “Pois é. Por isso que isto está tudo mal, querem ter vinho sem cuidar das parreiras. É preciso limpar a vinha para no próximo ano ela produzir melhor.” E despediu-se com a frase: “Tenho de ir para comandar aquilo, tem de ter alguém que perceba do assuntoe para mandar.”
O compadre tem razão, quer seja na espoldra, na poda ou na vindima tem de haver alguém que lidere e comande o grupo. Parece que em muitos locais (concelhos, regiões e países), fazem falta pessoas como o compadre Manuel, líderes que peguem no podão, e digam “andem mais eu” para deitar no chão as parreiras que não produzem uvas e orientem as restantes para obter uma boa produção no ano seguinte.
Joel Freitas