O grandioso Club Sport Marítimo comemorou, a 20 de Setembro de 2014, o centésimo quarto (104) aniversário. Fê-lo em família. Só atinge esta longevidade uma colectividade que luta por causas e que faz dos sacrifícios virtudes, remando, muitas vezes, contra ventos e marés.
Somos um clube republicano (que emprestou as suas cores à bandeira nacional), católico por essência e popular por natureza. Encher o nosso complexo desportivo com milhares de “familiares” nossos, que de forma alegre, decidiram congratular o “Maior e Melhor das Ilhas” por ocasião de mais um aniversário provou mais uma vez que o Marítimo é um clube de raiz popular e que está no coração dos madeirenses e portosantenses.
Não somos reféns de um elemento apesar de termos muito orgulho no passado e confiança no futuro. Afirmamo-nos muito com o saudoso Adelino Rodrigues e crescemos e consolidamo-nos com o grande marítimista Carlos Pereira. Sem desprimor para nenhum dos que orgulhosamente presidiram à nossa instituição, destaco estes dois homens pelo amor, ousadia, visão e capacidade de trabalho em prol do nosso Marítimo. Apesar de todos os sacrifícios, tivemos sorte com os homens que nos conduziram ao longo dos tempos.
Fomos um bastião na afirmação da república na nossa Região, na afirmação do desporto madeirense e na luta pela autonomia. A nossa história confunde-se com a de todos os madeirenses, no último século, representados pelos nossos maravilhas, endiabrados campeões das ilhas, que vestiram e vestem a nossa camisola.
Envergar as nossas cores é uma responsabilidade enorme, porque nelas estão o sacrifício de mulheres e homens madeirenses que ao longo de décadas, carregaram o fardo da insularidade e que mantiveram sempre um desejo intrínseco e idiossincrático de afirmação nos círculos de poder.
Esta nossa essência, maneira de ser e de estar deveria ser assimilada pelos políticos e candidatos a políticos porque nós como disse um dia Winston Churchill: “Não passamos de minhocas. Mas acreditamos ser minhocas que brilham.”
No século XX, não podemos falar da Madeira sem falar do Marítimo. No século XXI será seguramente igual. Hoje, somos um clube moderno e preparado para o futuro. Somos dignos representantes dos madeirenses e dos portosantenses, levando os seus anseios desportivos além mar e procurando, sempre, representar de forma condigna a Região a que nos orgulhamos de pertencer e com a qual nos confundimos.
Hoje, apostamos na formação e através dela, valorizamos os atletas da Madeira, ajudando a que atinjam patamares mais elevados na sua vida desportiva.
Hoje, como sempre, continua a ecoar, no coração da esmagadora maioria dos madeirenses, o grito “VIVA AO MARÍTIMO”.
P.S. Termino destacando o lançamento do Livro de Lídio Araújo, integrado na colecção Heróis à Moda da Bola, que conta a História do Club Sport Marítimo. No livro, as aventuras dos verde-rubros são contadas por um avô ao neto. Muitos de nós revêm-se, porque assim aprenderam a ser do Marítimo.
Luís Filipe Santos