A Associação de Linhas Aéreas da Venezuela (ALAV) emitiu hoje um comunicado onde anuncia que a companhia aérea American Airlines (AA) vai aumentar, de 10 para 12 os voos semanais entre os Estados Unidos e a Venezuela.

O aumento das frequências ocorre depois de em julho a AA ter reduzido em quase 80% as suas operações aéreas para a Venezuela, devido a dificuldades no repatriamento das receitas resultantes da venda de bilhetes.

Segundo o comunicado, o aumento das frequências será feito a partir de novembro.

Por outro lado, a ALAV precisou ainda que a panamiana Copa Airlines passou a usar aeronaves que aumentam os lugares disponíveis nas rotas Cidade do Panamá-Caracas e Panamá e a capital panamiana e as cidades venezuelanas de Maracaibo e Valência.

A ALAV explica ainda que "nenhuma linha aérea diminuiu os voos desde agosto", apesar de em setembro ter informado que a maioria das companhias aéreas internacionais tinha reduzido as operações.

No passado dia 17 de junho, a AA anunciou que reduziria quase 80 por cento dos 48 voos entre EUA e Venezuela, por não poder repatriar quase 750 milhões de dólares (593 milhões de euros).

Em 2003, a Venezuela adotou um apertado sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país e desde então as companhias aéreas passaram a precisar de uma autorização específica para poderem repatriar as receitas das suas operações, correspondentes à venda de bilhetes de avião.

Desde 2012 que as companhias aéreas internacionais estão a ter dificuldades para conseguir as autorizações de repatriamento de capitais que, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês), totaliza 3.500 milhões de dólares (2.770 milhões de euros).

A situação afeta a transportadora aérea portuguesa TAP e pelo menos outras 13 transportadoras internacionais.

A 30 de setembro, numa reunião com vários ministros e transmitida pela televisão, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou ao Governo que encontrasse uma solução definitiva, "de imediato e empresa a empresa", para solucionar esse diferendo.

Maduro acusou na ocasião as companhias aéreas de especularem com os preços dos bilhetes para, salientou, "justificar [a obtenção de] dólares e retirá-los do país, chegando à absurda imposição de preços, muito, mas muito superiores aos de mercados similares de países vizinhos".

Para a ALAV as afirmações de Nicolás Maduro no sentido de resolver o problema abriram "expectativas que podem ser positivas", mas a imprensa venezuelana tem indicado que não houve avanços sobre a matéria.

As dificuldades para repatriar capitais levaram a Air Canada a suspender os voos para Caracas, enquanto a American Airlines, a United Airlines e a Lufthansa reduziram significativamente as suas operações na Venezuela.

Em 30 de julho, o Governo venezuelano emitiu uma autorização especial para as companhias aéreas Iberia e Delta Airlines poderem repatriar em dólares os capitais gerados pelas suas operações.