"E o homem, o pigmeu, atacou a montanha. Durante séculos não cessou o trabalho rude da picareta e da alavanca, e à custa de vidas, de suor e de sangue talharam-se na rocha as gigantescas escadarias, sem que o alcantilado das escarpas, a fundura dos despenhadeiros ou a vertigem dos abismos detivessem os passos do titã. Monumento este único no mundo, porque jamais em parte alguma, com tão grande amplitude, tanto esforço humano foi empregado na conquista da terra.”
in ‘Madeira. A Epopeia Rural’, de Joaquim Vieira Natividade, 1953
Foi inspirado nos vistosos poios, espelhos da nossa identidade ainda por classificar, que a partir de hoje, no opinativo lote 139 da vida do DIÁRIO, optei por plantar palavras. Afinal, a análise da actualidade diversa é como tirar regos, semear futuro, abrir levadas, restaurar bardos, retocar muros e estacar latadas. O estudo da OCDE serve de pretexto: não fora o ambiente, a excepção positiva nos indicadores do nosso bem-estar, e a ilha estaria ainda mais inclinada. É uma dádiva quase divina o bom ar que respiramos não ser taxado, não depender de vistos do TC, nem de decretos desgovernados. A propósito, o Comité das Regiões aprovou, em Bruxelas, o parecer apresentado pelo presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, sobre a estratégia europeia para o crescimento e emprego no sector do turismo costeiro e marítimo. Consta que o Presidente do Governo da Madeira também participou nesta 108ª reunião plenária, mas até agora ninguém sabe se levou parecer ou se só quis aparecer. Tinha tudo para brilhar, sobretudo no debate sobre “a distribuição de fruta e produtos hortícolas, bananas e leite nos estabelecimentos de ensino”, matéria que aliás domina como poucos! Noutros domínios públicos ganhou cor e expressão o arquivamento temporário do ‘Cuba Livre’ e os respectivos efeitos colaterais. O MP confirmou ilegalidades que calaram as vozes da ira, apesar de um ou outro desabafo precipitado. Descobriram-se segredos da casa desgovernada e bases de dados paralelas. E lemos Miguel de Sousa a sentenciar que “deve ser por esta legalização do que se julgava ilegal que alguns membros deste governo regional querem continuar”. A Madeira até pode ser verde em muita estratégia, mas na ilegalidade oficial parece um poio de batatas: a rama não engana.