A Associação de Promoção da Madeira completa, em 2014, dez anos de atividade. Está de parabéns mas não só por isso. Esta instituição foi desejada pelo sector privado durante mais de uma década, sem nunca ter merecido o compromisso do sector público que só a aceitou quando a mesma resultou de uma imposição nacional a troco de dinheiro. Foi o regime da contratualização com as regiões de turismo que fez nascer a AP e obrigou à convivência dos privados com a gestão pública do dinheiro daqueles mesmos privados. Ao longo de dez anos a AP cumpriu a sua função e evidenciou uma grande distância ao modelo a que estávamos habituados, por um conjunto de boas razões. A AP elabora um plano anual de atividades e respectivo orçamento, assume objectivos específicos, cumpre com todas as exigências da transparência das contas que são auditadas externamente e sempre tornadas públicas, promove as assembleias gerais para as respectivas deliberações e presta contas, todos os anos, aos seus associados. A estrutura funcional da AP é muito ligeira, conta com um número reduzido de profissionais que são um verdadeiro exemplo do empenho e do envolvimento na causa comum, motivados, apenas, pelos resultados das suas ações. A AP apresenta níveis de eficácia e eficiência manifestamente elevados e únicos, por isso. A execução orçamental ronda os 100% e o cumprimento dos plano de atividade apenas é condicionado quando a parte pública falha no compromisso. A gestão é orientada para os resultados e, pela primeira vez, a Região dispõe de exercícios previsionais baseados em critérios válidos. Uma nova consciência foi assumida no seio da AP com a preocupação dada ao estudo do retorno do investimento feito em cada ação, mercado ou parceiro. Uma nova atitude se entendeu do Conselho Consultivo, um efetivo órgão que reúne periodicamente, delibera e acompanha a atividade da Associação, e que é ouvido, de facto, pela direção, ao abrigo das disposições estatutárias. Apesar das limitações impostas pelo Turismo de Portugal, a AP Madeira provou que é possível comungar o espaço privado com o público e que a gestão de acordo com o modelo dos privados permite outros resultados, bem melhores e possíveis do conhecimento da população em geral. A AP já evidenciou, há muito, que deveria em si ser concentrada toda a atividade promocional da Região. Todos têm consciência das vantagem dai decorrentes, todos têm a certeza do enorme avanço que isso significaria e todos sabem que será, inevitavelmente, esse o caminho.
Eduardo Jesus Economista