“Óh mãe, onde ponho isto?”, perguntou uma criança com os seus 7 anos à sua suposta educadora enquanto balançava as pernas na cadeira. A mãe olhou com ar enfastiado para o filho, tirou-lhe o guardanapo sujo da mão, levantou-se do seu lugar, atirou-o pela janela do autocarro e voltou a sentar-se carrancuda. O miúdo ficou a olhar o papel que ficou para trás deitado na estrada atarefada.

Ao meu lado, em pé, estava uma senhora gestante com dificuldades em suster a sua enorme barriga agarrada ao barão mais próximo, enquanto era sacudida ao som dos buracos que a viatura insistia em atropelar.

Ocupando a parte traseira da viatura, estava ainda um grupo de jovens ativos pronunciando frases repletas de palavrões em alto som para que ninguém tivesse dúvidas do conteúdo na conversa: nenhum.

Os restantes mantinham-se fechados no espaço que ocupavam, distantes de tudo e todos.

E assim vai a educação na nossa sociedade pela nossa sociedade. Cada um metido em si, e todos inertes ao que se passa no mundo.

Mas quando a educação é colocada em último plano não podemos esperar que se aprendam regras de conduta para com o planeta e os demais. Como podemos esperar que os futuros adultos sejam mais conscientes que os seus pais?

Como podemos colher respeito e evolução se a própria política do Governo para a Educação está moribunda?

Sentamo-nos na poltrona e olhamos para o quadro cinzento da Política da Educação no nosso país. Nada mais caricato do que isso. Mais valia retirá-lo da parede de tão vergonhoso que é! Não se vê perspetivas algumas em dar-lhe umas pinceladas coloridas e dignas de se ver.

A profissão de professor passou a ser o escárnio da nossa sociedade. A política desmotivadora do Governo para a Educação não dá qualquer mérito aos mensageiros da aprendizagem e ensino.

Esta instabilidade nas escolas, professores, funcionários, alunos e encarregados de educação asfixiam a boa educação e ensino nas escolas... Associando isto ao número excessivo de alunos e turmas, à carrada de papéis e grelhas sem nexo que os professores têm diariamente de preencher, à maratona que professores fazem entre as escolas nas quais ficam colocados, à falta de material para lecionar as suas aulas, à falta de respeito constante com que têm de lidar respeitosamente e, não podia deixar de referir, à gangrenosa política de avaliação de docentes.

E depois ficamos de boca aberta com a falta de qualidade do ensino... e na educação.

Portugal não tem qualquer educação! Vamos continuar a “bater” nos professores e a atirar papéis pela janela do autocarro!

Agnes Freitas