António Ferreira É confrangedor a parca importância albergada neste matutino - e pela RTP-Madeira - naquela que foi uma das iniciativas mais auspiciosas para a democracia madeirense nos últimos - não tão breves de todo - tempos. Vamos esquecer a Mudança, sejamos capazes de remeter possíveis coligações regionais (PSD, PS, CDS, BE, CDU, PTP, PND, PAN, etc) para a bruma do esquecimento saudável e focar naquilo que merece genuíno destaque de primeira página no dia 7 de Outubro de 2014: o orçamento participativo!

Esta iniciativa foi levada cabo por uma força política. Isto não quer dizer que pertença a essa equipa. Este modelo, como o próprio nome indica, pertence a todos. Esperemos que por muito muito tempo. Ou seja, seja qual for a força política que se apodere do executivo camarário futuramente, o Orçamento Participativo é para continuar. Afinal, é uma ideia que dá fôlego à democracia. Qual será o candidato, seja de que partido for, que com as suas mãos será capaz de asfixiar a participação livre e responsável dos cidadãos? Se este senhor ou senhora surgir no futuro acuso-o já de hipocrisia e licenciosidade.

O Orçamento Participativo funciona como um mecanismo de participação e de auscultação das necessidades dos cidadãos, permite dar dinamismo à cidadania reforçando a responsabilidade daqueles que querem intervir na sociedade. Por fim, é um pretexto para a coesão social já que todos desempenham o seu papel em igualdade de circunstâncias. Não sejamos cínicos neste processo. O futuro da região não pode estar cristalizado em comissões políticas de partidos. Não podemos continuar a ver a política como os reis ibéricos no tratado de Tordesilhas: o que é para mim e o que é para ti. A política deve ser sobre o que é para nós todos. Por isto repito as exclamações: Orçamento Participativo! Sim! Para sempre!