Quando comecei a escrever este texto, a primeira versão soava-me a um acto-de-contrição, como que fosse uma “mea culpa”. Relembrar as eleições autárquicas de Setembro de 2013, com a memória da centelha de mudança que tanto foi acarinhada naquela altura, e confrontando a realidade presente do aqui e agora, é algo tenebroso.
Sou daqueles que mediante um desafio lançado, se comprometeram com aquele projecto. O desafio de congregação de seis diferentes partidos foi uma conquista de todos. Conseguir vencer foi a materialização do “ser possível” em condições na altura tão especiais, que jamais se repetirão.
Era a altura de marcar a diferença, por mais passos titubeantes que se dessem no início de qualquer percurso. Mas, não. Dando razão aos demais adversários políticos – e a minha assumida censura é no plano político – o guião oculto do partido maioritário revela-se com estrondo, minando a confiança, e rasgando o pacto sufragado com os funchalenses dum projecto independente com distintas sensibilidades, com reconhecidos rostos cicatrizados pela luta.
Para um trabalho de quatro anos, e porque a cobiça falou mais alto, tudo se desbaratou em apenas seis meses, num vil e pérfido espectáculo de traição. É como se num conhecido concurso, se esgotassem todas as “ajudas” na primeira pergunta. Disseram os actuais aconchegados e demais cúmplices que chafurdam na pocilga as migalhas do poder, que a crise gerada seriam “dores de crescimento”. Mas, quando é que há “crescimento”, se toda esta gestão autárquica é um lodoso poço de inércia, onde a incompetência nem escorre mais, apenas porque a sua agenda mediática é inversamente proporcional à sua acção? São os processos regulatórios enquistados; são os fogachos mediáticos fabricados onde até as acções de limpeza são noticiáveis, quando a maioria das pessoas evidencia uma cidade cada vez mais suja; é a expressão irrisória da aplicabilidade prática da índole social engodada como marca do executivo, etc.
O Funchal foi diluído num tubo de ensaio do laboratório socialista para alimentar a ambição política de muito poucos que têm mais olhos que barriga. Os funchalenses estão padecendo uma crise de crescimento no menu d’alternância. Estou certo, que tudo isto não passará dum erro de “casting” de reles figurantes e a nuvem negra de má-memória, cedo se dissipará.
Donato Macedo Lic. em Comunicação