2014 tem sido um ano com muita mexida na Madeira, politicamente falando. Foi ano de eleições europeias, com uma grande derrota para o partido habitualmente maioritário, foi ano de escolha do candidato do PS a primeiro ministro e será também o ano em que haverá um novo líder no ainda maioritário partido na Região. Só falta este último para ser conhecido, pois os restantes atos “eleitorais” já são passado. Falta o acto que mais candidatos tem, nada mais do que seis candidatos, cinco de certeza e um outro anunciado e é sobre este ato político que nos vamos debruçar. Todos os candidatos estão ligados ao passado regional, com graves responsabilidades em tudo o que se fez nesta terra, quer tenha sido de bom, quer tenha sido de mau. Parece que este facto ninguém o pode negar, pois desempenharam funções quer no governo quer no partido, quer ainda na Assembleia Regional da Madeira, sem que, durante todos estes anos se tenham demarcado de nenhum ato da governação, logo são co-responsáveis por tudo. Curiosamente, agora, todos se querem demarcar de todo um passado em que, segundo eles, todos foram responsáveis, tal são as acusações que fazem uns aos outros….Lá diz o povo, zangam-se as comadres, sabem-se as verdades!!! Um dia destes houve um debate na RTP/Madeira com os cinco candidatos, faltando o sexto, o tal anunciado. Olhei para o ecrã e fiquei muito triste ao ver que todos eles comeram do orçamento regional que decidiram, votando a favor de muita coisa má para a Região e nunca foram capazes de se demarcarem porque sabiam que no dia que o fizessem, seriam imediatamente demitido. Falta de coragem política e o chefe era implacável. É caso para perguntar por onde andaram todo este tempo, fazendo lembrar alguns excertos do livro de George Orwell, em que tudo era apagado, a memória ia-se até nova mudança que apagaria também a mais recente memória. Como é possível dois vice-presidentes, um secretário regional, um ex Presidente da Câmara, um ex deputado ao parlamento Europeu e um secretário geral do partido, nunca terem encontrado soluções para a Madeira e de repente surgem com metros cúbicos de soluções? Como é que estes candidatos podem dizer que cumpriram com tudo o que era melhor para a Madeira? Inclusivamente um deles, bem conhecido pela sua manipulação de números da sua área de governação pode dizer que só não cumpriu numa ninharia? Como podem falar, especialmente um que enquanto governante, dizia à boca cheia no seu gabinete “ ai se a oposição soubesse” (contou-me um funcionário do seu gabinete) referindo-se a problemas graves da sua própria governação? Como pode um dos candidatos alhear-se do que se passou tendo sido Vice Presidente da Assembleia Regional, Presidente da Câmara e Vice Presidente do seu partido? Todos eles foram deputados e nunca vimos nenhum deles votar contra o orçamento da Região, por exemplo, nem nunca levantar a voz para discordar fosse o que fosse. Todos, sem excepção acomodaram-se assim ao poder musculado, ignorando a democracia e portavam-se como se a Assembleia fosse constituída só pelo seu partido. Alguns têm demonstrado muito receio de resultados menos correctos e agora têm medo de beber do seu próprio veneno… Agora tudo é diferente, todos são democratas, todos querem conversar com a oposição, mas durante anos e anos recusaram-se participar em debates a pedido dos partidos da oposição, como também se recusaram a participar em debates realizados pelos nossos órgãos de comunicação social. Falavam sim, mas sós… Enfim tudo indica que os cinco candidatos estiveram emigrados durante os últimos quarenta anos…Por onde teriam andado…

Duarte Caldeira Ferreira