Quando há um mês escrevendo, de fora da Madeira, sob o mesmo título, implicitamente, apelava à luta de todos os Madeirenses, uma vez mais, para que unidos lutassem por uma mudança que continuava a tardar. Não deixa de ser curioso que, a menos de um mês das eleições autárquicas, idêntico apelo, vindo das mais diversas origens, vai fazendo eco, um lugar comum que é pretexto para, também os partidos políticos de todos os quadrantes, a isso recorrerem, neste período eleitoral, desse modo pretendendo, cada um deles, proclamar a sua inocência, assacando a responsabilidade por uma mudança que tarda, invariavelmente, a todos os outros. É a história que se repete, mas é a todos os Madeirenses com direito a voto, que compete, ao nível das suas autarquias, a muito curto prazo, dizer ‘basta’ e, conscientemente, fazer a escolha que mais bem, em sua consciência, pode ir ao encontro do interesse comum. Estou na Madeira, ao escrever estas linhas, desta vez, vivendo e escrevendo, bem mais de perto, sobre essa realidade que está à vista de todos, incluindo daqueles que se julgam ser os “donos” e que teimam em não ver nem ouvir. Sem ir mais longe, a simples leitura das respostas de responsáveis partidários a jornalistas que, na sua missão de levar a informação por que os leitores anseiam, a todos eles deixa, invariavelmente, na mesma, ou seja, todos ficam sem saber com rigor onde acaba a verdade e começa a mentira ou, mais uma vez, evocando o célebre auto de Gil Vicente, sem deixar lugar para dúvidas que “Todo o Mundo” é mentiroso e “Ninguém” diz a verdade.... Sem saber onde, nem como seria possível aprofundar, tudo o que de facto cada um dos autores das verdades sabe e o que, cada um dos mentirosos desconhece, bem mais relevante diria ser o imaginar-se, como tudo ficará depois das próximas eleições, com a certeza que nada ficará como antes, em particular no que respeita ao resultado da mais importante autarquia da Região – a Câmara Municipal do Funchal – onde a probabilidade de ser conseguida uma maioria absoluta, a qual, embora desejável, tudo indica ser improvável. Com efeito, excluidas umas minorias inconsequentes, tal como a isso estará igualmente condenada a coligação liderada pelos socialistas, restam de facto duas candidaturas mono-partidárias, donde poderá emergir um vencedor. A propósito, é de referir as “peripécias” que, ao nível do PSD-M, antecederam a sua apresentação, em grande parte, relacionadas com a liderança do próprio partido, as quais pouco ou nada abonam a seu favor, não augurando uma vitória, ainda que tangencial, restando assim aguardar e respeitar a decisão do eleitorado. Passado o dia 29 de Setembro, oxalá, seja possível dar por encerrado o tempo de “parvoidades” deste ano de 2013 e que ao mesmo tempo se vejam abrir novas perspectivas para a nossa Região, com uma nova orientação – uma vez mais – pela Madeira sempre...! * [por decisão do autor, este texto não respeita as normas do Acordo Ortográfico]

Francisco Leite Monteiro