
Ter uma conta de electricidade ou de água atrasada já aconteceu a muita gente, quer seja por esquecimento ou por esse fenómeno cada vez mais habitual de o dinheiro desaparecer da conta e da carteira, a uma velocidade supersónica e entrar a um ritmo de passeio. É um aborrecimento, é preciso ir falar com aqueles senhores que estão atrás dos balcões e olham para o faltoso com uma expressão reprovadora, parecida com a do professor primário quando a malta partia o vidro da escola a jogar à bola, mas as coisas resolvem-se. Pagamos a conta e a multa e prometemos a nós mesmos que passamos a fazer o pagamento por transferência bancária, para nunca mais falhar.
Ficar sem água ou luz deve ser muito complicado. Mas há quem fique, por não ter mesmo dinheiro para pagar, por ter sido apanhado no turbilhão de uma crise monstruosa de que nem teve culpa. A única coisa de que terá sido responsável é pela ingenuidade de acreditar e votar em quem não merecia.
Por tudo isto, não se compreende, nem se pode admitir que uma fundação partidária tenha calotes gigantescos de água e luz – não se sabe, ainda, se pagam telefones e televisão - com atrasos de anos e ainda tenha o desplante de argumentar contra e ameaçar quem mostra essas situações.
Um simples cidadão que se atrase três meses no pagamento da água, da luz e do telefone, fica sem serviço e tem de pagar uma multa considerável para os reaver. A fundação deve e continua a dever.
É verdade que uma coisa é a Fundação Social-Democrata e outra o partido que a criou, mas é impossível separar uma instituição da outra. É impossível ignorar que é este mesmo partido que recebe mais de três milhões ao ano do ‘jackpot’ da Assembleia e que sustenta campanhas eleitorais milionárias.
É impossível ignorar o tratamento diferente que é dado a uma instituição que deveria ser exemplar e a um cidadão que trabalha para pagar as suas contas. Ainda mais revoltante é ver as reacções dos responsáveis que ameaçam com processos quem lhes manda cortar a água e insultam quem noticia uma situação que não tem defesa.