A atividade cultural da Madeira aumentou, exponencialmente, nos últimos trinta anos, ao ponto de hoje se apresentar uma média de espetáculos, per capita, muito próxima das grandes cidades do nosso País. A Música não é exceção e muitos agrupamentos apresentam a sua temporada anual, com maior ou menor qualidade artística, mas todos com o objetivo de promover esta arte junto da comunidade local, bem como constituir uma oferta cultural para os turistas que nos visitam.
Quando se trata de uma orquestra ou de uma banda filarmónica (em versão de concerto), estes agrupamentos têm um líder que normalmente é o seu diretor artístico.
É frequente vermos na comunicação social e nas folhas de sala a designação de “maestro”, referindo-se a pessoas sem esta habilitação profissional. Na verdade, esta palavra, de origem italiana, que significa “mestre”, tornou-se uma profissão em meados do Séc. XIX, pela necessidade dos agrupamentos musicais de maiores dimensões terem alguém a orientar. Nas Bandas Filarmónicas, o título de regente é mais utilizado que o de maestro. Como os diretores artísticos não são diplomados preferem esta designação. Nas Bandas Militares, se for um oficial, cuja formação enquadra a direção de bandas, é designado como “maestro”, seguido do seu posto militar. Sabemos que muitos maestros no passado não receberam formação académica como tal, mas especializaram-se com maestros mais experientes durante um longo período, como formação em contexto de trabalho e supervisionada por um profissional mais competente. Desde os anos 50 algumas escolas superiores de música já lecionavam a cadeira de “direção de orquestra”. Uma delas é o Mozarteum em Salzburg. Hoje, em todo mundo existem os cursos superiores em direção de orquestra, direção coral e até direção de banda. Infelizmente na Madeira não existem profissionais com esta habilitação. Conhecemos apenas um madeirense diplomado em direção de orquestra mas que vive no estrangeiro. Aqui fica uma sugestão para os jovens músicos que sintam atração por esta nobre profissão, que se inscrevam numa Licenciatura em Direção, numa das Escolas Superiores que a promovem.
Carlos Gonçalves