Estamos em pleno verão e, como é habitual, existe um cuidado redobrado com a manutenção da silhueta. Ao contrário do que é normal, não são apenas os veraneantes que têm esta preocupação mas também as empresas, a classe trabalhadora e o país de uma forma geral. Recentemente um estudo da consultora Mercer veio confirmar e quantificar aquilo que já se sabia: verifica-se uma redução real dos níveis de salários em todos os grupos funcionais e, desta vez, nem a gestão de topo escapa à redução. Esta redução acontece, em traços gerais, por duas vias: pelo congelamento de salários e pela substituição directa de colaboradores, ou seja, as empresas, tirando partido de uma cada vez maior flexibilização da legislação laboral, substituem colaboradores com vários anos de casa por novos colaboradores que entram com condições de remuneração mais baixas. Deste modo, as famílias assistem a uma diminuição dos seus rendimentos que, não é acompanhada por uma redução dos preços e, consequentemente, têm com resultado final uma diminuição do poder de compra. Face a este cenário, o país assiste impávido e sereno à fuga dos seus talentos para o estrangeiro, em busca de melhores condições de vida e oportunidades de trabalho. Portugal está a transformar-se numa “fábrica” que exporta profissionais para o estrangeiro sem conseguir grandes retornos, uma vez que mantém os custos de formar os seus jovens. Os parceiros europeus já perceberam isso e, em algumas áreas, optam por não abrir cursos e vir recruta-los directamente a Portugal. Como em qualquer dieta, também no caso português, é importante não perder “peso” muito depressa e fazê-lo de forma sustentada. As empresas e os profissionais que saem dificilmente irão voltar num futuro próximo e vão, com toda a certeza, fazer falta para o desenvolvimento do país.

Pedro Nunes Economista