A abstenção, sendo uma forma de contestação, agora serve os interesses “dos mesmos de sempre”. A abstenção favorece a Troika. Indirecta ou directamente, abster-se nas próximas eleições é premiar o PS, o PSD e o CDS-PP. Mas, será legítimo premiar os responsáveis pelo desastre quando se sabe que, para além das agressões já sentidas, depois das Eleições Autárquicas novos roubos e outras agressões se somarão ao novo roubo aos reformados e pensionistas, nos novos cortes nas Funções Sociais do Estado, mais despedimentos...? Tanta gente diz “isto está cada vez pior. E são sempre os mesmos, há mais de 30 anos, ora PSD, CDS, ora PS.”. Ficará tudo na mesma? Só se o voto recair naqueles que conduziram o País para o desastre. Existe um profundo descontentamento. Cresce a vontade de expressar o protesto face ao agravamento da situação económica e social, em resultado das políticas de terrorismo social. Também há uma inclinação para a abstenção, porque muita gente está zangada com o rotativismo e seus resultados desencadeados pelo PS, PSD e CDS-PP. E há a dificuldade em descortinar que em lugar da repetitiva alternância, existem as potencialidades de uma alternativa. Ganha especial importância a natureza alternativa das políticas. Neste contexto, a CDU propõe um outro rumo e uma outra política que não são só necessários como possíveis. Também aos desiludidos do rotativismo importa demonstrar como a natureza das políticas se pode alterar.

Edgar Silva Deputado do PCP na ALM