Raquel Freitas Foi precisamente há um mês que concretizei um desejo de criança, o grande sonho da minha vida. Ser enfermeira. Foi um dia memorável, daqueles que só temos oportunidade de vivenciar uma vez. Um dia que me preencheu a alma, em que a alegria escorria pelos olhos sem me aperceber, ao ver um percurso concluído com sucesso, junto dos meus a me aplaudirem de pé. Estava um dia lindo, o sol parecia brilhar intensamente. Ou talvez fosse dos meus olhos.
Foi um percurso árduo, trabalhoso e sobretudo dispendioso. Digo dispendioso porque neste momento escrevo com um sentimento de preocupação, por ter recorrido a um empréstimo bancário para concretizar o tão desejado sonho de menina. Não é fácil. Não é fácil pensar que uma etapa foi concluída, e que outra se adivinha tão complicada. Mas este foi também um percurso muito gratificante, quer em termos pessoais como profissionais, ou não seria a mulher que sou hoje. Mais completa.
Mais feliz. Só não sei se isso será suficiente para pagar a minha dívida. Quer dizer, até sei.
Acabei um curso que requer a maior das artes, a de olhar para a pessoa de uma forma holística, percebendo cada ponto, cada particularidade do seu ser. E foi toda essa aprendizagem que me completou ao longo de 4 anos.
Mas a preocupação continua. Tendo em conta a conjuntura atual, as dezenas de notícias que diariamente correm mundo, sobre o desemprego, sobre a saúde, sobre a política…será que não devo estar minimamente preocupada? Será que sou “forçada” a sair do meu próprio país para pôr as contas em dia? Um país onde construí uma vida? A verdade é que sou jovem, tenho um espírito dinâmico, empreendedor, muita vontade de trabalhar. Menos para sair do país onde nasci. Não quero.
São muitas as questões que percorrem o meu pensamento, e esta inquietação aumenta lentamente a cada dia que passa, cada vez que saio à rua para entregar currículos. Mas estou feliz. A enfermagem é uma paixão, e indiscutivelmente uma necessidade.