Histórico e eloquente. E não só à conta do inquestionável resultado de todas as vontades empenhadas na mudança.
A rebelião era inevitável após 45 vitórias social-democratas que anestesiaram críticos, compraram ambições e foram geradoras de impunidade, arrogância, despesismo, irresponsabilidade e clientelismo, por sinal, o mesmo a quem agora já falta quase tudo.
Histórico e eloquente porque o desejo colectivo de não rendição às fatalidades decretadas por um poder incorrigível e de submissão ao vazio institucionalizado foi desta vez mais forte do que a habitual tentação pela zona de conforto ou compromisso discreto com a causa pública.
Apesar dos sacrifícios sentidos nesta sociedade que sofre com o desleixo, com o esbanjamento e com os caprichos, os sábios madeirenses superaram medos com décadas e afirmaram um novo propósito.
“Fez-se Abril”, cumpriu-se um sonho e a esperança renasce. Abre-se uma nova era. Espera-se que de transparência e de saber, de determinação e de serviço ao povo, de cooperação e de diálogo.Tudo para que os novos líderes não sejam iguais aos que já prometeram bloquear o atrevimento e boicotar a revolução.