Em pleno período de ferias, o INE divulgou a estimativa rápida do Produto Interno Bruto Português, que marca uma saída espectacular da recessão no segundo trimestre deste ano. A surpresa não está no facto da economia Portuguesa ter crescido, uma vez que muitos economistas e alguns indicadores já o faziam prever. A surpresa está sim na magnitude do crescimento. No segundo trimestre deste ano, Portugal teve um crescimento de 1,1% no PIB frente ao trimestre anterior, depois de ter registado dez trimestres consecutivos de recuo. Ainda mais surpreendente foi Portugal ter sido o país que mais cresceu em toda a União Europeia.
Depois da surpresa interessa a análise. Infelizmente, estas estimativas rápidas não nos dão o detalhe necessário para avaliarmos se este dado veio para ficar ou se foi um valor atípico com causas inconsistentes. O INE, na sua informação à comunicação social, explica que este dado traduz uma redução menos acentuada do investimento e uma aceleração expressiva das exportações. Quanto a mim, estes dois vectores são pouco sustentáveis, uma vez que a desaceleração do investimento é resultado de benefícios fiscais que acabam este ano, e que a aceleração nas exportações teve um factor sazonal associado ao efeito do calendário da Páscoa. Ou seja, o dado foi bom mais infelizmente não veio para ficar. Entre Economistas é relativamente consensual que a recuperação económica que parece agora começar, será muito lenta, porque para além dos contratempos que o governo tem tido para aplicar as reformas estruturais e a consolidação fiscal, o programa foi desenhado tendo em conta que por esta altura o resto do mundo já teria ultrapassado a crise. Como sabemos, um dos principais vectores do programa de ajustamento visa promover a competitividade externa através do investimento em sectores com forte potencialidade para a exportação. Na teoria a ideia não é má, mas na prática, uma Europa economicamente deprimida pode comprometer seriamente o objectivo. Uma economia baseada no crescimento das exportações e na contenção das importações através da contracção do consumo, só teria os resultados desejados se os países alvo das exportações estivessem em franco crescimento económico. Esta potencial dificuldade no crescimento sustentado das exportações, aliada aos problemas internos que se está a provocar por se ter escolhido a via da redução dos custos do trabalho como caminho para o aumento da competitividade, põe em causa o sucesso do programa da troika e do governo. Reflexo disto, são as yields de Portugal a médio e longo prazo que parecem ter estacionado perto dos 7%.
As perspectivas futuras não são boas, mas parece que agora já conseguimos vislumbrar um pequeno ponto de luz ao fundo do túnel. Foquemo-nos nas notícias que nos têm chegado da zona euro: desemprego a cair, produção industrial a subir, sentimento económico a melhorar… Números que nos fazem acreditar que a performance económica dos nossos parceiros europeus pode melhorar significativamente e que por arrasto, também pode melhorar a nossa.
Luís Pedro Branco