Não, não é apelo ao voto num partido, coligação ou grupo de cidadãos. Primeiro, porque nunca o faria devido à imparcialidade que a profissão exige e também porque hoje é dia de eleições. Não que concorde com as regras ridículas que criam dias de reflexão e impedem campanha no dia das eleições, porque são atestados de menoridade política e intelectual, passados ao Povo, mas porque não é esse o objectivo deste texto.

Hoje, queria pedir a quem por acaso passar por aqui para ir votar. Sair de casa – as mesas de voto ficam quase sempre perto –, levar o cartão de cidadão, o BI, a carta de condução ou outra coisa qualquer que os identifique e votar.

Em tempos escrevi que não tinha grande consideração em relação aos abstencionistas e não mudei de opinião. Nem lhes reconheço o direito de protestar ou dar opiniões. Se não votam é porque se estão, pura e simplesmente, nas tintas para o que possa acontecer. Por isso, se não votam, fiquem calados para sempre. Ou pelo menos até às próximas eleições.

A falta de consideração (sim, isso mesmo) por quem não se digna exercer um dever – porque é um dever, desde logo moral – é ainda mais forte quando pensamos o que custou ter este direito.

Como dizia, na sexta-feira, no Porto Canal, o moderador que encerrou um debate, foram tantos os que morreram, foram presos e perseguidos para podermos ter o direito a votar. Nem que que seja só por respeito por toda essa gente que lutou pela Democracia, votar é uma exigência de cidadania.

Como também lembrava o jornalista, antes, no tempo da ditadura que massacrou este País, os presidentes de câmara não eram eleitos, eram nomeados pelo poder opressor.