Graça Gouveia Li na secção “cartas do leitor” do DN sobre a indignação de alguém que terá perdido o seu animal de estimação às mãos da SPAD por ter uma fractura na perna em consequência de se ter escapado da sua residência. Lamento muito a “perda”, sei o quanto isso dói, acredite! Aliás, perder um animal de estimação pode ser duplamente penoso em função da ligação entre ambos, Humano e Animal. É a falta que nos faz aquele Ser que connosco viveu por vezes durante anos, partilhando das nossas vidas, ajudando sempre de forma incondicional – quantos humanos terão este privilégio?!... E digo duplamente penoso pelo fato de que a solidariedade normalmente presente entre humanos nestas ocasiões de perda, tratando-se de um animal, muitas vezes é inexistente, dizendo melhor, a situação de dor não é sentida e muito menos compreendida por muitos dos que com quem temos de conviver. Contudo, não querendo julgar os que não partilham dum sentimento nobre pelos animais, queria deixar aqui a minha palavra a todos quantos como eu sofre a perda de um amigo e dizer-lhes que não se detenham em manifestar o seu sentimento, o seu luto. Eles os animais, são nossos companheiros de jornada e na realidade o que realmente conta é o que fica depois da partida, esse sentimento de que contribuímos para a evolução de um ser, com respeito e amor. A todos quantos já “perderam” o seu animal de estimação queria deixar um trecho da mensagem que a mim me passaram e que me ajudou a superar. “Não encare isto como uma perda mas sim como uma continuação pois ele precisa de evoluir…”. Quanto à instituição SPAD, é necessário encarar a situação com um certo discernimento. Não é certo, é verdade, que um animal seja sacrificado apenas por estar lesionado. Mas pense, quem vai adoptar uma animal mutilado? Num mundo mais perfeito, numa realidade que não é a nossa, isso seria possível sim mas a SPAD não tem mãos a medir na ajuda a animais que diáriamente chegam às dezenas. São os recolhidos pela própria instituição, os abandonados à porta, ninhadas inteiras de cães e gatos, lindos, menos lindos, de raça ou não… esta é a realidade diária daquela instituição. Então, como guardar todos?! Não sou actualmente sócia da SPAD nem há qualquer interesse pessoal em defender a instituição, sou apenas um testemunho vivo do trabalho ali realizado em prol dos animais. A minha história de amor/dor com o meu animal de estimação recentemente vivida levou-me até lá e senti nos profissionais que ali trabalham, médicos, administrativos e aqueles que são os “enfermeiros e auxiliares” dos nossos amigos quando por lá têm de ficar internados, uma dedicação genuina. Um tributo ainda a todas as pessoas com quem me cruzei nesta jornada, dentro e fora da SPAD e com quem troquei uma lágrima ou outra e de quem recebi apoio. A todos quero agradecer por existirem. Só me resta acreditar que todos possamos contribuir para um mundo melhor onde os Humanos e em especial as crianças sejam realmente felizes e assim não seja preciso gritar pelo respeito dos animais. Que no coração de todos possa nascer o amor por eles.