Manuel Viveiros É uma das nossas especifidades, um neologismo da caderneta da Madeira Nova: trinauguração. Quer dizer, começa com inauguração, segue pela binauguração e continua pela trinauguração. Como os prefixos indicam, tudo isto se passa quando uma obra é inaugurada uma, duas, três vezes. São tantas por este chão fora, mas especialmente em semanas como esta. Fiquei espantado com um caminho rural trinaugurado no Tintureiro, Ribeira Seca. Lembro-me que foi inaugurado ao começarem propriamente as obras, depois uma binauguração a meio, há cerca de um ano, com presidentes e secretários. E um dia destes, chegou-se o clímax da trinauguração, com comes e bebes e pagas mais tarde nos impostos. Mas, segundo dizem testemunhas oculares, os trabalhadores que ainda têm salários a receber voltaram à obra, adivinhando-se que haverá neste caminho o recorde de uma tetrinauguração. Nenhum madeirense duvida que fazem de nós nativos do terceiro mundo: agora o pai natal veio em Setembro e traz às costas o saco das prendas chinesas: estradas, casas, lagares de rega, poios para cavar, etc. etc.. Em Machico, vieram oferecer uma horta a os velhinhos do lar da terceira idade, com discursos, bazófias e foguetes verbais Voltámos à era antiga em que a família passava fome o ano inteiro e na Festa havia canjinha, café, arroz e cacau. Tristeza! Alguém há-de se lembrar que em 1989 corria na baixa de Machico esta anedota verídica: o sr. governo, à rasca, intimou os seus procuradores em Machico, dizendo-lhes desesperadamente: arranjem-me coisas para inaugurar, nem que seja canos rotos. Coitado, inaugurou, binaugurou, trinaugurou … e no fim perdeu a Câmara. Mau presságio nos tempos que correm!